Internacional
Irã exigirá autorização prévia para travessia no Estreito de Ormuz
Novos procedimentos foram anunciados após acordo com os Estados Unidos
A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico anunciou nesta sexta-feira (19) novas regras para embarcações que desejam transitar pelo Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas para o comércio mundial de petróleo.
As mudanças, que incluem a exigência de autorização prévia para a travessia na rota, foram divulgadas após a assinatura de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã.
Segundo comunicado publicado pelo jornal iraniano Tehran Times, os navios deverão solicitar autorização de passagem com pelo menos 48 horas de antecedência antes de chegar ao Estreito.
Durante o período de 60 dias de vigência inicial do acordo, as taxas normalmente cobradas dos armadores serão pagas pelo regime iraniano.
A autoridade também informou que, devido à presença de minas na região, as embarcações precisarão coordenar suas travessias diretamente com os órgãos responsáveis pela navegação no local.
A retomada gradual do tráfego ocorre em meio a desafios de segurança. De acordo com informações divulgadas pelo jornal britânico The Guardian, citando a associação internacional de armadores Intertanko, cerca de 80 minas permanecem na parte central do Estreito de Ormuz.
"A principal rota pelo centro do Estreito está fechada e perigosa", declarou Phil Belcher, diretor da entidade, acrescentando que a situação pode ser comparada a uma rodovia cuja faixa central está interditada, obrigando o tráfego a utilizar rotas alternativas.
Além das minas, armadores relatam dificuldades causadas pelo bloqueio de sinais de navegação implementado pelo Irã durante o período de conflito com os Estados Unidos, fator que compromete o funcionamento de sistemas eletrônicos de orientação marítima.
Apesar das restrições, o fluxo de embarcações apresentou forte recuperação após o anúncio do acordo. Dados da plataforma de inteligência marítima AxsMarine mostram que 25 navios comerciais cruzaram o Estreito de Ormuz apenas na quinta-feira (18), número cinco vezes superior à média registrada nos 10 primeiros dias de junho.
O volume representa o maior movimento diário desde meados de abril e é visto por analistas do setor como um reflexo direto da redução das tensões entre Washington e Teerã.
A reabertura gradual da passagem também gerou expectativas positivas nos mercados internacionais. O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que o acordo entre EUA e Irã deverá contribuir para a redução dos preços do petróleo.
Segundo o chanceler italiano, a normalização do tráfego marítimo em Ormuz tende a favorecer a economia global e reduzir pressões especulativas sobre o mercado energético.
Tajani defendeu ainda que, com a melhora da situação geopolítica, os preços da commodity retornem aos níveis anteriores ao período de instabilidade.
"O acordo assinado entre os EUA e o Irã nos dá um suspiro de alívio e, sobretudo, impulsiona nossa economia. A retomada do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz significa que o preço do petróleo vai diminuir", concluiu o italiano.
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