Internacional
Itália investiga suposta corrupção ligada a projeto de ponte na Sicília
Construção que ligaria a ilha à Península Itálica tem sido debatida há décadas
O Ministério Público de Roma abriu nesta terça-feira (9) uma investigação sobre supostos casos de corrupção e divulgação de segredos oficiais relacionados ao projeto da ponte no Estreito de Messina, que ligará a ilha da Sicília à Península Itálica.
Segundo comunicado das autoridades, a unidade especial ROS dos Carabineiros foi encarregada de executar mandados de busca e apreensão envolvendo três suspeitos: um ex-vice-presidente do Tribunal de Contas da Itália, aposentado em fevereiro, um empresário e um advogado que integrou o conselho administrativo da empresa "Stretto di Messina Spa".
As investigações apontam para supostas tentativas de influenciar a revisão do projeto final da ponte pelo Tribunal de Contas, especialmente no processo de avaliação da legalidade da aprovação da obra.
O projeto, impulsionado pelo governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, prevê a construção de uma infraestrutura estimada em 13,5 bilhões de euros, incluindo uma ponte suspensa de 3,3 quilômetros, ligações rodoviárias e ferroviárias de cerca de 40 quilômetros, além de novas estações e um centro de serviços na Calábria.
O plano ganhou novo impulso após a chegada da coalizão de centro-direita ao poder em 2022, com forte apoio do vice-premiê e ministro dos Transportes e Infraestrutura Matteo Salvini.
O projeto, no entanto, enfrenta há décadas críticas relacionadas a custos, impacto ambiental, risco sísmico e possível infiltração de organizações criminosas.
O empreendimento também foi historicamente defendido pelo ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que chegou a incluí-lo em suas agendas de governo, mas a obra permaneceu paralisada por longos períodos.
De acordo com os investigadores, os suspeitos teriam atuado para obter informações confidenciais e influenciar decisões internas do Tribunal de Contas. Há ainda a suspeita de promessas de vantagens futuras em troca de apoio institucional, incluindo cargos e benefícios após aposentadoria.
Durante as operações realizadas em Roma, na região de Reggio Calabria e em Frosinone, os Carabinieri apreenderam dispositivos eletrônicos e documentos que agora serão analisados para verificar seu valor probatório.
Em nota, o CEO da Stretto di Messina Spa, Pietro Ciucci, afirmou surpresa com as investigações e declarou que a empresa não está envolvida no caso, reiterando disposição para colaborar com as autoridades.
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