Internacional
Meloni nega renúncia, desafia oposição e promete governar 'até último dia'
Premiê também refutou possibilidade de reforma ministerial após referendo
A premiê da Itália, Giorgia Meloni, reiterou nesta quinta-feira (9) que não renunciará ao cargo nem fará reformas ministeriais por conta da derrota no referendo sobre uma reforma judicial proposta pelo governo no fim de março.
A iniciativa propunha a separação das carreiras de juízes e promotores e a criação de um tribunal disciplinar para a magistratura e foi rejeitada nas urnas pelo placar de 53,75% a 46,25%, maior revés para a primeira-ministra desde que ela assumiu o poder, em outubro de 2022.
"Ainda se fala de uma iminente renúncia do governo, de reformas ministeriais, de um novo começo. Mas é algo a anos-luz de distância, no qual não temos qualquer intenção de mergulhar a Itália", declarou Meloni em uma audiência na Câmara dos Deputados, em Roma.
Segundo ela, o Executivo cumprirá seu mandato de cinco anos "até o último dia", em 2027, tornando-se o mais longevo da história italiana.
"Não há necessidade de recomeçar, visto que o governo nunca parou e tem trabalhado há dias, como vimos, para evitar as consequências da crise internacional e implementar medidas adicionais. Não há intenção de fazer uma reforma ministerial porque, apesar de todas as nossas limitações, este continua sendo o governo que restituiu à Itália a estabilidade política, a credibilidade internacional e a seriedade na gestão de recursos", acrescentou.
O resultado do referendo provocou um terremoto político no país e já custou os cargos de três expoentes do governo: a ministra do Turismo, Daniela Santanchè, o subsecretário do Ministério da Justiça, Andrea Delmastro, e a chefe de gabinete da pasta, Giusi Bartolozzi. Mas, segundo Meloni, a coalizão continua "sólida e coesa".
Além disso, ela desafiou a oposição a mostrar que pode ser uma "alternativa de governo", declaração rebatida por lideranças de centro-esquerda.
"Você nos desafia, mas já perdeu porque tinha desafiado a Constituição, e o povo soberano te derrotou nas urnas. Dá para ver que você quer muito voltar à oposição, então vamos deixar você feliz", disse a secretária do Partido Democrático (PD), Elly Schlein.
Já o ex-premiê e presidente do Movimento 5 Estrelas (M5S), Giuseppe Conte, garantiu estar pronto para enfrentar o governo com um programa "progressista". "Vamos mandar você para casa", prometeu.
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