Internacional
Europa critica decisão dos EUA de aliviar sanções ao petróleo russo
UE defendeu que Ocidente 'mantenha a pressão' sobre Moscou
A Europa reagiu nesta sexta-feira (13) à decisão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aliviar as sanções sobre a aquisição de petróleo da Rússia, medida tomada para conter o choque nos preços da commodity em função da guerra no Irã.
Na última quinta (12), Washington concedeu uma autorização temporária de 30 dias que permite aos países comprarem petróleo russo já em trânsito marítimo sem correr o risco de sofrer represálias.
Essa é a primeira vez que os EUA aliviam sanções contra uma das principais fontes de recursos de Moscou, liberando para o mercado cerca de 100 milhões de barris que estavam parados no mar, o equivalente a um dia da demanda mundial.
Em publicação nas redes sociais, o presidente do Conselho Europeu, principal instância política da União Europeia, António Costa, definiu a decisão "unilateral" da Casa Branca como "muito preocupante", uma vez que pode ter "efeitos na segurança" do continente.
"Aumentar a pressão econômica sobre a Rússia é fundamental para que ela aceite iniciar negociações sérias por uma paz justa e duradoura. O enfraquecimento das sanções aumenta os recursos à disposição da Rússia para conduzir a guerra de agressão contra a Ucrânia", salientou o português.
Já a porta-voz do poder Executivo da UE, Paula Pinho, alertou que "não é o momento de aliviar as sanções contra a Rússia". "Moscou não pode ser beneficiada pela guerra no Irã", disse.
O governo do Reino Unido também se pronunciou e defendeu que os aliados "mantenham a pressão" sobre o regime de Vladimir Putin e seus "recursos de guerra", enquanto o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou que a decisão da gestão Trump é "errada".
Por sua vez, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que o relaxamento das sanções pelos EUA "não favorece a paz" e pode até "reforçar a posição da Rússia". "Quanto mais dinheiro eles tiverem para financiar a máquina de guerra, mais meios eles terão para enviar drones ao Oriente Médio", ressaltou.
Questionado sobre a medida nesta sexta, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondeu que é "impossível estabilizar os mercados de energia" sem Moscou.
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