Internacional
Mais de 10 são intimados por construção de 'cubo negro' em Florença
Prédio destoa do panorama do centro da cidade, que é tombado pela Unesco
O Ministério Público de Florença intimou para depor mais de 10 pessoas investigadas por conta da construção de um polêmico "cubo negro" em pleno centro histórico da cidade, área tombada pela Unesco como patrimônio mundial da humanidade.
Trata-se do desenvolvimento mais recente de um inquérito aberto em agosto do ano passado, mirando um edifício que atraiu críticas de moradores por destoar do panorama da capital do Renascimento, dominado por prédios multicentenários em tons pastel e colinas verdejantes.
O imóvel pertence às gestoras de ativos imobiliários Hines e Blue Noble e foi levantado no lugar do antigo Teatro Municipal de Florença, que foi desocupado e vendido pela Prefeitura em 2013, na gestão do então prefeito e futuro premiê Matteo Renzi.
O terreno havia sido comprado pela Cassa Depositi e Prestiti (CDP), banco de investimentos do governo italiano, por 23 milhões de euros, e, após três leilões sem sucesso, acabou repassado em 2019 aos atuais proprietários.
O polêmico edifício integra um complexo de prédios com mais de 150 apartamentos de luxo, destinados sobretudo a aluguéis turísticos de curta duração, atividade que há anos vem provocando o aumento dos preços de moradias no centro histórico e o descontentamento da população florentina.
O foco da investigação é reconstruir o complexo trâmite burocrático que, entre a Superintendência de Paisagismo e a Direção de Urbanismo da Prefeitura, permitiu a realização da obra. As suspeitas são de abuso de construção, violação de normas urbanísticas de paisagismo e falsidade ideológica, e os investigados são servidores de diversos organismos. Eles devem ser interrogados nos próximos dias.
O comitê "Salviamo Firenze per Viverci" ("Vamos salvar Florença para viver nela") celebrou as intimações como "boas notícias", afirmando que a cidade "está exausta de especulações e turismo selvagem". Já a Prefeitura, em nota, reafirmou a "plena confiança na magistratura", esperando que o inquérito "esclareça os fatos com rigor".
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