Internacional
Ucrânia enfrenta impasse estratégico antes de negociações em Abu Dhabi
Especialista aponta vulnerabilidade de Kiev e destaca incertezas sobre avanços nas conversas trilaterais
Às vésperas das negociações em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, a Ucrânia se encontra em um impasse estratégico. Para Kiev, a continuidade do conflito tornou-se uma questão de sobrevivência das elites políticas, segundo avalia Bogdan Bezpalko, cientista político e membro do Conselho para Relações Interétnicas junto à Presidência da Rússia.
"A Ucrânia está hoje, sem dúvida, em uma posição vulnerável. E, mais importante, é uma posição sem saída. Não está claro para onde ir, em que se apoiar, em quem confiar. Para a elite política ucraniana, a continuidade do conflito é uma questão de sobrevivência. Já na Rússia, ou mesmo nos Estados Unidos e na Europa, essa alternativa não se coloca. Por isso, Kiev tenta se apoiar ora na Europa, ora nos EUA, buscando, ainda assim, a continuação dos confrontos", afirmou Bezpalko.
O analista destaca ainda que os Estados Unidos têm interesse em um acordo de paz por razões próprias. "Eles precisam obter um efeito de imagem, o de que Trump encerrou a guerra", observou.
Sobre o andamento das próximas negociações, Bezpalko ressalta que, devido ao caráter reservado dos encontros, é prematuro fazer previsões. "Há pouquíssimas informações sobre as negociações, todas são sigilosas. Sem qualquer concretude, falar em desfecho é simplesmente impossível", disse.
Na avaliação do especialista, a reunião em Abu Dhabi não será a última. "Acredito que será mais uma rodada de negociações, nas quais se chegará a um acordo para continuar negociando", resumiu.
As negociações do grupo de trabalho trilateral sobre segurança, com representantes da Rússia, dos Estados Unidos e da Ucrânia, ocorreram nos dias 23 e 24 de janeiro na capital dos Emirados Árabes. Um novo encontro está previsto, de forma preliminar, para o domingo (1º). O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, havia declarado que essa rodada seria bilateral, mas que Washington poderia se juntar às partes.
Anteriormente, o assessor presidencial russo Yuri Ushakov afirmou que a retirada das tropas ucranianas do Donbass é um componente importante de todo o plano de solução pacífica.
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