Internacional
Deputados italianos bloqueiam sala de imprensa da Câmara em ato contra extrema-direita
Um grupo de deputados de oposição ao governo da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, ocupou nesta sexta-feira (30) a sala de imprensa da Câmara para impedir uma coletiva de parlamentares de extrema-direita sobre o tema da "remigração".
O protesto foi organizado por membros do Partido Democrático (PD), do Movimento Cinco Estrelas (M5S) e da Aliança Verde e de Esquerda (AVS) contra a iniciativa sobre repatriação forçada de migrantes.
A conferência, organizada por Domenico Furgiuele, membro do partido ultranacionalista Liga, do vice-premiê Matteo Salvini, previa a participação de Luca Marsella, porta-voz do grupo neofascista CasaPound, Ivan Sogari, da Frente Skinhead do Vêneto, Jacopo Massetti, ex-integrante da Forza Nuova, e Salvatore Ferrara, da Rede Patriotas.
Desde a véspera, no entanto, partidos da oposição haviam anunciado que tentariam impedir o evento, afirmando que não aceitariam a presença de grupos classificados como neofascistas no interior do Parlamento.
Às 10h40, uma hora antes da conferência de imprensa, os deputados da oposição entraram na sala para impedir o evento, munidos da Constituição, e começaram a cantar a canção "Bella Ciao", um símbolo da resistência dos partisans durante a ocupação nazifascista.
Em resposta aos protestos, o presidente da Câmara, Lorenzo Fontana, decidiu suspender todas as conferências de imprensa agendadas para hoje "por razões de ordem pública".
Pouco antes da divulgação do comunicado, jornalistas que aguardavam a coletiva convocada por Furgiuele e pela CasaPound foram retirados da sala de imprensa, que permanecia ocupada por parlamentares da oposição.
Segundo relatos, os membros da chamada Comissão de Remigração e Reconquista também não tiveram autorização para acessar o prédio da Câmara pela entrada lateral, por determinação da administração de Montecitorio.
Furgiuele pretendia recebê-los como convidados, mas um funcionário informou que, por decisão do presidente da Câmara, os deputados não poderiam receber visitantes ao longo do dia.
Após o impedimento da conferência, Marsella afirmou que a CasaPound retornará ao Parlamento "com centenas de milhares de assinaturas" em apoio a um projeto de lei sobre remigração.
Já a vice-presidente do Partido Democrático, Chiara Gribaudo, justificou a ocupação da sala de imprensa como um ato de defesa institucional. "Impedimos a violência contra as nossas instituições: ocupamos a sala de imprensa da Câmara dos Deputados para impedir a inaceitável conferência da CasaPound e de outras associações neofascistas, lendo aquilo que eles mais temem: a nossa Constituição antifascista", declarou.
Gribaudo acrescentou que a ação tinha como objetivo "defender as instituições republicanas" e recordar ao deputado Furgiuele os princípios constitucionais. "Eles explicam o mundo de ontem e de hoje e por que iniciativas provocativas como a dele são contrárias ao nosso sistema democrático", afirmou.
"Era nosso dever rejeitar aqueles que querem macular essas instituições e contaminar o nosso país com uma ideologia que cheira ao passado e já foi condenada pela história", concluiu.
Na sequência, a manifestação se deslocou para a área externa do prédio, com membros da oposição segurando cartazes com a imagem de Matteotti, um deputado socialista assassinado em 1924 por um esquadrão da morte fascista.
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