Internacional
Macron pede que empresas da UE suspendam investimentos nos EUA
O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu nesta quinta-feira (3) que as empresas que fazem negócios nos EUA parem de investir no país, depois que o líder estadounidense, Donald Trump, anunciou o "Dia da Libertação" com tarifas recíprocas de importações procedentes da União Europeia (UE) e outras regiões do planeta.
"É importante que as inversões futuras ou anunciadas nas últimas semanas fiquem suspensas durante um tempo até esclarecer a situação com os Estados Unidos da América", disse Macron em uma reunião com representantes das indústrias que serão mais afetadas pela decisão de Washington. "Não faz sentido que as empresas invistam lá enquanto os EUA atacam a Europa", completou.
Sobre a decisão da União Europeia de não retaliar às tarifas dos EUA contra serviços digitais e financiamento da economia dos EUA, o presidente francês disse que nada está descartado:
"Todos os instrumentos estão sendo considerados: a imposição de tarifas retaliatórias, o uso de mecanismos que temos, como o instrumento anticoerção (ACI), a possibilidade de impor medidas contra serviços digitais dos quais os Estados Unidos se beneficiam muito na Europa, a possibilidade de considerar instrumentos de financiamento da economia dos EUA".
A medida anticoerção é ferramenta comercial da UE para retaliar contra países que utilizam medidas econômicas e comerciais de forma coercitiva.
A Casa Branca anunciou, nesta quarta-feira (2) a taxação de 10% a todas as importações estrangeiras a partir de 5 de abril, com tarifas mais altas para os países com aqueles que têm os maiores déficits comerciais a partir de 9 de abril. No caso da UE, a tarifa de 20% sobre as importações entrará em vigor em 9 de abril.
Alguns bens ficaram de fora das tarifas recíprocas, como artigos de aço e alumínio, automóveis e autopeças, cobre, produtos farmacêuticos, semicondutores e artigos de madeira, lingotes de ouro, energia e outros minerais não disponíveis nos EUA.
Na semana passada, Trump anunciou tarifas de 25% sobre a importação de veículos e peças automotivas nos EUA, medida que pode impactar diretamente as grandes montadoras asiáticas, principais exportadoras para o mercado estadunidense.
Em fevereiro, Trump assinou decretos com a imposição de tarifas sobre produtos de Canadá, México e China. No caso do Canadá, o indicador ficou em 25% para todas as importações, com exceção do setor de recursos energéticos, cuja taxa foi definida em 10%.
O mesmo valor foi aplicado ao México, enquanto à China foi determinada uma tarifa adicional de 10%, além das que já existem sobre o comércio entre os dois países.
Posteriormente, Trump anunciou a suspensão da aplicação das taxações ao México e ao Canadá por um mês, após um acordo envolvendo o fortalecimento da segurança nas fronteiras, com o objetivo de combater o tráfico de drogas e o fluxo de imigrantes irregulares.
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