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Bispos católicos criticam candidatura de Flávio Bolsonaro e alertam para riscos à democracia

Carta aberta destaca preocupações com a soberania e políticas sociais

Sputnik Brasil 22/10/2026
Bispos católicos criticam candidatura de Flávio Bolsonaro e alertam para riscos à democracia
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um grupo de 35 bispos católicos de diferentes regiões do Brasil divulgou, nesta quinta-feira (22), uma carta aberta que critica a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e alerta sobre os riscos à democracia, à soberania nacional e às políticas voltadas aos mais pobres.

O documento não menciona o senador diretamente, mas reúne críticas a posições ligadas a ele e à família Bolsonaro. Os signatários pedem que os católicos participem do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25), considerando a defesa da democracia, os valores humanitários e os ensinamentos da Igreja na escolha do próximo presidente.

"Não se trata apenas de uma escolha eleitoral, tantas vezes já praticada no Brasil, mas da possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação, cujos exemplos na história do século 20 deixaram cruéis e amargas lembranças", afirma um trecho do manifesto.

A carta aponta divergências entre as posições atribuídas a Flávio Bolsonaro e os princípios defendidos pelos religiosos. Entre as críticas, estão a oposição ao fim da escala de trabalho 6 x 1, a promessa de aproximar o Brasil dos Estados Unidos, a defesa da ampliação do acesso às armas e a rejeição ao reconhecimento da crise climática e de problemas ambientais.

Os bispos também fazem referência à atuação política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo homenagens ao coronel Brilhante Ustra, um dos principais nomes associados à tortura durante a ditadura militar brasileira.

"Um dos candidatos é filho do presidente que foi condenado e preso por atentar contra a democracia e segue suas ideias. Fez várias declarações de ameaça à ordem constitucional e, se eleito, governará com maioria absoluta no Congresso Nacional, criando as condições para uma usurpação do poder e submissão do país à sua ideologia", diz o documento.

Sem mencionar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a carta reconhece que a candidatura adversária está sujeita a críticas, mas afirma que ela demonstrou responsabilidade com a população pobre e com a preservação ambiental, além de ter atuado dentro dos limites da ordem democrática e respeitado a Constituição.

"Gostar ou não do atual governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa igreja", acrescenta o manifesto.

CNBB também se manifesta

Em mensagem divulgada na última quarta (21), o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também se manifestou sobre o segundo turno das eleições de 2026. O texto, dirigido ao povo brasileiro, defende a participação consciente dos eleitores, o respeito aos resultados legítimos das urnas e a preservação das instituições democráticas.

A entidade afirma que o país precisa de trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança de qualidade. A mensagem também defende a proteção ambiental, os direitos humanos e a promoção da paz, além de cobrar dos eleitos compromisso com essas questões.

"O voto é livre e secreto. Ameaçar ou pressionar eleitores, bem como negociar votos, são práticas inadmissíveis", diz a nota, que também destaca a importância da liberdade de expressão, do acesso à informação confiável e da proteção a quem denuncia injustiças.

A CNBB recomenda que os eleitores considerem a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia e as condições de vida da população. O documento é assinado pelo Conselho Permanente da entidade e foi datado de 21 de outubro de 2026, em Brasília.


Por Sputinik Brasil