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Por que o míssil 100% brasileiro eleva a capacidade de defesa do país? Analista explica (VÍDEOS)

Míssil Tático de Cruzeiro representa avanço significativo na autonomia militar do Brasil.

Sputnik Brasil 22/10/2026
Por que o míssil 100% brasileiro eleva a capacidade de defesa do país? Analista explica (VÍDEOS)
Míssil Tático de Cruzeiro MTC-300: avanço na defesa nacional brasileira. - Foto: © Foto / Divulgação / Avibrás

O teste do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC-300), desenvolvido no Brasil para o sistema Astros, reacende o debate sobre a autonomia tecnológica e o poder de dissuasão das Forças Armadas brasileiras. Com alcance projetado de até 300 quilômetros, o armamento representa um avanço na capacidade nacional de ataques de precisão a longa distância.

Para João Gabriel Burmann, professor da UniRitter e pesquisador do Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia (ISAPE), speaking in an interview with Sputnik Brasil, esse teste é um grande passo para a indústria nacional, principalmente por se tratar de um ativo muito importante.

"O teste do MTC-300, que aconteceu pelo Centro de Avaliação do Exército lá na base da Marambaia, no Rio de Janeiro, foi um teste bem significativo para demonstrar que o Brasil avançou na produção nacional dos mísseis e dos mísseis de precisão", disse.

O pesquisador também aponta que a pesquisa e o desenvolvimento de mísseis eram algo que já vinha sendo trabalhado ao longo do tempo, no entanto, o diferencial neste momento é o envolvimento da Avibras, uma empresa brasileira também atuando na concepção do projeto, além das Forças Armadas.

"O emprego de mísseis no Brasil não é necessariamente algo de agora, mas o que tem de destaque realmente aqui, o que tem de novo, é a produção nacional desse início, que é feita pela Avibras, um projeto, na verdade, que foi desenvolvido pela Força Aérea e pelo Exército. Todas as forças envolvidas, todos os centros tecnológicos envolvidos", comenta.

Itens bélicos brasileiros para defesa de todo território

Burmann ressalta que as características do MTC-300 proporcionam ao país um armamento altamente qualificado para o combate. Os diferenciais desse ativo militar residem tanto na sua precisão de ataque quanto na sua capacidade de integração total ao sistema Astros.

"O MTC-300, pelas suas características, permitiria a ideia do ataque cirúrgico, aquele que, por conta da sua capacidade de precisão e da sua carga explosiva, da sua ogiva, que pode ser uma ogiva de até 200 quilos, ela se torna realmente muito mais eficiente. Agora, ele entrando em uso operacional, sim, acho que passa um sinal regional da capacidade brasileira, especialmente ele incorporado no sistema Astros", destaca.

O especialista também pondera que, além do MTC-300, o sistema Astros é um importante ativo de produção nacional para a defesa de todo o território, devido às suas características que se adequam às diversidades geográficas do país.

"O sistema Astros com capacidade de mobilidade bastante avançada, e que já foi testado e empregado em diferentes biomas e espaços operacionais do nosso país. E poderia ser empregado para a defesa litorânea, no Pantanal e na fronteira do Centro-Oeste, que é problemática, onde há os principais desafios, por conta da presença de bases extrarregionais nos países vizinhos, especialmente no Paraguai", observa.

Míssil 'brazuca' já está em processo de certificação

Outro aspecto levantado por Burmann indica que o míssil tático MTC-300 já cumpre as etapas finais de certificação militar regulamentar. Esse processo é obrigatório antes do início de qualquer operação prática por atestar a segurança e a eficácia da arma nacional frente às exigências operacionais.

"Esse teste que foi realizado agora na restinga da Marambaia foi, em tese, já o teste de certificação. Ou seja, o teste de certificação é aquele que mostra que, olha, sim, podemos empregá-lo, podemos incorporá-lo nas capacidades operacionais e podemos dar o que a gente chama de uso operacional para ele. Então, já haviam sido feitos os testes da empresa e esse agora seria, de fato, uma das últimas etapas", conclui.

A soberania nacional não se restringe à retórica política, manifestando-se de forma concreta no campo da defesa. Diante de um cenário internacional cada vez mais recrudescido, torna-se imperativo que os países desenvolvam tecnologias autóctones no setor, uma estratégia que, além de garantir a autonomia militar, também possui alta capacidade de aquecer a economia.


Por Sputnik Brasil