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BNDES e Prefeitura do Rio anunciam distrito cultural Pequena África com R$ 23 mi em investimentos
Investimentos visam requalificação da região portuária e preservação da memória afro-brasileira.
O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciaram, nesta quarta-feira (21), quatro ações para a implantação do “Distrito Cultural Pequena África”, na região portuária da cidade, com investimentos iniciais previstos de R$ 23 milhões.
O anúncio foi feito durante evento no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB). Os projetos integram a 'Iniciativa Valongo', desenvolvida pelo BNDES, e garantem a primeira requalificação urbana da área, além das parcerias para a implementação de três novos equipamentos.
Do total, R$ 2 milhões serão aplicados pela Prefeitura na requalificação da Praça dos Estivadores, a primeira intervenção prevista. Os outros R$ 21 milhões dependem de captação pública e privada e serão destinados a três projetos:
Para o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, a construção dos projetos é importante para a preservação da memória.
"O Distrito Cultural Pequena África é memória, mas é, acima de tudo, futuro. Essa região é muito mais do que uma prioridade de governo: é absolutamente necessária para construir o futuro do Rio de Janeiro e do Brasil. Cada espaço desse projeto, do Conservatório de Música Preta à Biblioteca Machado de Assis, faz parte dessa construção", declarou.
A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, afirmou que o acordo assinado com a Prefeitura permite iniciar a captação de recursos. As obras na Praça dos Estivadores começarão imediatamente, enquanto os demais projetos dependem de doadores.
Segundo a dirigente, já existem investidores interessados no financiamento e na manutenção do distrito. "Temos investidores interessados, não vou poder dizer quem, porque a gente pretende entregar esse pacote pronto a partir das captações", afirmou.
Campello ressaltou ainda que os quatro equipamentos anunciados não representam todo o projeto. A diretora citou o Museu das Docas, em frente ao Cais do Valongo, como parte do conjunto de intervenções que seguem em andamento.
'Um capítulo fundamental da história do Brasil'
Durante discurso no evento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a dimensão histórica do território, que abrange os bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo e reúne locais como o Cais do Valongo, o Cemitério dos Pretos Novos e a Pedra do Sal.
"A Pequena África é um dos territórios mais importantes da memória afro-brasileira da América Latina. A sua existência é um lembrete constante de que a escravidão, como um dos maiores crimes contra a humanidade, causou a diáspora africana no mundo", disse a ministra.
Ainda segundo a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, falar de reparação faz parte da construção dos caminhos de liberdade da população negra. "Nós precisamos dessa história e falar de reparação, porque é assim que nós construímos os nossos caminhos de liberdade", declarou.
Rachel Barros acrescentou que homenagear essa memória vai além de reconhecer a violência do passado. "É falar de toda a potência que nós construímos para esse Brasil, da nossa intelectualidade, da nossa história, da nossa memória e deixar esses equipamentos, esses símbolos visíveis para as próximas gerações", concluiu.
Por Sputnik Brasil
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