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UTIs no Brasil: médicos pedem estruturação que vá além de mais leitos
Avaliação destaca disparidades entre serviços públicos e privados.
Uma avaliação das unidades de terapia intensiva (UTIs) no Brasil realizada por profissionais da área revela uma discrepância na percepção sobre a qualidade dos serviços públicos e privados. Em muitos casos, as notas positivas para as unidades privadas são duas vezes maiores em comparação com as públicas. Já as notas negativas chegam a ser até quatro vezes maiores nas unidades públicas do que nas privadas.
Ao todo, 2.338 médicos que atuam na assistência de alta complexidade foram ouvidos dentro do Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras, realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), com o apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM).
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Os profissionais responderam a um questionário, atribuindo notas de 0 a 5 para itens considerados essenciais ao funcionamento das unidades, como infraestrutura, disponibilidade de leitos e medicamentos, nível de especialização da equipe, fluxos de pacientes e protocolos, entre outros.
Em nota, a Amib destacou que, ao serem analisadas em conjunto, as menções auxiliam na visualização dos problemas que impactam o atendimento a partir da perspectiva de quem é responsável pelo cuidado de pacientes graves.
Para a associação, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas de saúde que tratem a estruturação das UTIs como prioridade em múltiplos aspectos, não apenas na expansão do número de leitos.
A entidade informou que pretende levar o diagnóstico a gestores públicos e privados, bem como a autoridades de áreas de fiscalização e controle, com o objetivo de defender a implementação das recomendações feitas pelo inquérito.
“Eventuais mudanças terão impacto em 43.901 leitos de UTI distribuídos pelo país, sendo 34.927 destinados a adultos e 8.974 à pediatria e neonatologia”, destacou a Amib.
Números
Os dados mostram que apenas 22,7% dos médicos entrevistados consideram que a rede de UTIs do Sistema Único de Saúde (SUS) possui disponibilidade totalmente adequada de medicamentos essenciais ao manejo dos pacientes.
Esse índice sobe para 57,7% quando analisados serviços particulares ou vinculados a planos de saúde.
Por outro lado, quando examinada a situação da oferta de medicamentos nos serviços da rede pública, 16,1% dos médicos consideraram-na como inadequada ou totalmente inadequada. No setor privado, esse percentual caiu para 3,8%.
A tendência se mantém na avaliação sobre a suficiência de leitos, em que 24,1% dos entrevistados atribuíram nota máxima aos serviços públicos de UTI. Já nas unidades privadas ou de planos de saúde, a avaliação favorável sobe para 51,4%.
No que diz respeito à disponibilidade e acesso a protocolos de atendimento e conduta clínica, a rede SUS recebeu nota máxima de 23,1% dos participantes do inquérito, enquanto o setor privado teve avaliação superior de 40,2%.
Notas baixas
Pela perspectiva das notas mais baixas (0, 1 e 2), 32,6% dos médicos avaliaram a disponibilidade de leitos no SUS de forma negativa, e 27,4% atribuíram as mínimas notas aos protocolos de atendimento.
Na rede privada, as avaliações mínimas foram dadas por 7,7% e 14,3% dos médicos, respectivamente.
Esse padrão se repetiu em 12 dos 13 aspectos avaliados por profissionais que atuam em UTIs no Brasil. A única exceção foi em relação às tarefas administrativas e burocráticas, onde a percepção dos entrevistados foi bastante próxima independentemente do segmento de atuação, seja público ou privado.
A pesquisa também revelou disparidade na percepção sobre a presença de equipe multiprofissional especializada: 39,2% dos médicos atribuíram nota máxima para esse item no setor privado, em contraste com 23% no setor público, enquanto as notas mínimas foram concedidas por 24,8% dos médicos para o setor público e 13,8% para o privado.
Quanto à percepção sobre a presença de enfermeiros com formação específica em terapia intensiva, a proporção positiva foi de 25,1% para o setor privado e 16,9% para o público.
As avaliações negativas chegaram a 37,2% para os serviços do SUS e 26,4% para os serviços particulares ou de planos.
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