Geral
Taxas de juros caem com volta de otimismo sobre vitória de Flávio e queda do petróleo
Expectativa positiva do mercado se intensifica diante de pesquisas eleitorais
Os juros futuros percorreram o pregão desta terça-feira, 20, em firme queda, que chegou a superar 20 pontos-base nos trechos médios e longos. Após uma semana marcada por ajustes de posições, a tendência de aproximação do presidente Lula em relação a Flávio Bolsonaro, evidenciada pelas pesquisas eleitorais, reacendeu o otimismo dos investidores sobre a possibilidade de alternância de poder em 2027.
Segundo agentes, o humor voltou a se calibrar na direção da vitória do filho de Jair Bolsonaro no segundo turno, que ocorrerá no próximo domingo - desfecho que, na visão do mercado, deve reduzir a percepção de risco associada à política fiscal do País. Além das expectativas sobre o quadro eleitoral e fiscal, o mercado de juros local contou ainda com suporte da queda do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries, em meio a notícias sobre um acordo costurado pelo Paquistão e pelo Catar para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 caiu de 12,886%, no ajuste anterior, a 12,800%. O DI para janeiro de 2029 cedeu a 12,580%, de 12,709% no ajuste, e o DI para janeiro de 2031 recuou de 12,789% a 12,650%.
"Tudo está ajudando o mercado a ficar mais confiante na eleição de novo", afirmou um profissional à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), sob anonimato, citando o conjunto de pesquisas divulgadas nesta terça, assim como os trackings conhecidos entre ontem e hoje que apontam vantagem maior para o candidato da oposição. "Entre pesquisas e trackings, ele tem entre 1,5 ponto e 3 pontos à frente", disse.
Publicada nesta terça, a pesquisa Real Time Big Data indicou Flávio com 52% das intenções de voto, contra 48% de Lula, em empate técnico. O senador oscilou um ponto para cima, e o incumbente, um ponto para baixo. Na Alfa Inteligência, Flávio aparece com 48,8% dos votos totais e Lula, com 45,9%, também tecnicamente empatados.
Segundo Sérgio Samuel dos Santos, economista do Sistema Ailos, o "empurrão" do cenário global também foi relevante para aliviar os DIs na sessão, na medida em que relatos sobre uma possível retomada de negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã impulsionaram bolsas ao redor do mundo e levaram o petróleo a se afastar das máximas do pregão.
Após atingir o patamar de US$ 112 pela manhã, o barril do Brent para dezembro virou para queda e fechou com perda de 0,69%, a US$ 108,79. A commodity mudou de sinal após relatos da mídia israelense de que uma proposta mediada pelo Paquistão e Catar teria recebido aval de Washington e concordância preliminar de Teerã.
Além da influência do petróleo, os retornos dos Treasuries cederam com números mais fracos do mercado imobiliário norte-americano e com redução de apostas de nova alta de juros pelo Federal Reserve (Fed), acrescenta o economista da Nomad, Vitor Kayo.
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