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Quem é o pastor Paul Mackenzie, líder de seita que forçou 190 crianças a jejuarem até morrer

Condenação traz esperança para famílias de vítimas

Estadao Conteudo 20/10/2026
Quem é o pastor Paul Mackenzie, líder de seita que forçou 190 crianças a jejuarem até morrer
Quem é o pastor Paul Mackenzie, líder de seita que forçou 190 crianças a jejuarem até morrer

O líder de uma seita apocalíptica queniana, ligada a mais de 400 mortes, foi condenado nesta segunda-feira, 20, pelo assassinato de 190 crianças e um adulto, após ordenar que seus seguidores jejuassem até a morte para encontrar Jesus.

A juíza Diana Kavedza determinou que o pastor Paul Mackenzie, líder da Good News International Church, comandava um sistema organizado que utilizava ensinamentos religiosos para forçar os seguidores a jejuar até morrerem.

Em 2023, mais de 400 corpos foram exumados de covas rasas no Chakama Ranch - uma propriedade de 320 hectares no condado costeiro de Kilifi, onde os seguidores de Mackenzie viviam em cabanas de barro, longe da vigilância das comunidades locais e das autoridades.

Mackenzie foi preso e acusado de homicídio, juntamente com sua mulher e dezenas de seus seguidores. Alguns desses seguidores tornaram-se, posteriormente, testemunhas de acusação no caso. O julgamento teve início em 2023.

Ele negou todas as acusações, afirmando que não forçou seus seguidores a jejuar. Uma audiência para a apresentação de argumentos sobre a pena será realizada no dia 30 de outubro, e a sentença está marcada para 6 de novembro.

Crianças eram agredidas se tentassem fugir

O tribunal concluiu que a ordem para jejuar até a morte começou pelas crianças; guardas eram posicionados para impedir que elas fugissem, agredindo aqueles que tentavam escapar ou se alimentar.

Mackenzie também instruía seus seguidores a rejeitar a educação e os cuidados médicos. Em sua decisão desta segunda-feira, 20, a juíza Kavedza afirmou que "o tratamento médico era apresentado como um instrumento de Satanás".

Para William Ponda Ngala - que perdeu a mãe, o irmão mais velho e dois sobrinhos -, a condenação de Mackenzie traz a esperança de que o caso sirva de lição para outros líderes religiosos que, no futuro, possam tentar explorar seus seguidores.

"Finalmente, como família, podemos respirar aliviados, sabendo que Mackenzie e todos aqueles que causaram as mortes dos meus familiares foram condenados", disse ele à Associated Press nesta segunda. Em abril do ano passado, o Tribunal de Apelação autorizou o Ministério Público a prosseguir com 191 acusações de homicídio contra Mackenzie e seus corréus.

Em maio de 2024, o Tribunal Superior determinou que a acusação reduzisse o número de acusações de homicídio para, no máximo, 12. Contudo, o Tribunal de Apelação decidiu que a lei não estabelece um limite para o número de acusações que podem ser apresentadas contra um réu.