Geral

Mídia: maior exercício entre EUA e Japão amplia debate sobre capacidade ofensiva japonesa

Exercícios Keen Sword 27 marcam mudança significativa na postura militar do Japão.

Sputnik Brasil 20/10/2026
Mídia: maior exercício entre EUA e Japão amplia debate sobre capacidade ofensiva japonesa
Exercícios Keen Sword 27 destacam capacidades militares ampliadas do Japão em parceria com os EUA. - Foto: © AP Photo / Hiro Komae

Os exercícios militares Keen Sword 27, considerados os maiores já realizados por EUA e Japão, marcam a estreia de mísseis japoneses de alcance ampliado e do sistema norte-americano NMESIS, próximo a Taiwan. Segundo a mídia asiática, essas medidas indicam uma ampliação das capacidades ofensivas de Tóquio e uma maior integração militar com Washington.

Os exercícios conjuntos Keen Sword 27 (Espada Afiada 27), realizados por Estados Unidos e Japão, foram descritos pela mídia japonesa como ensaios para a defesa das ilhas do sudoeste japonês. A atividade teve início nesta semana, em sua maior edição até o momento.

De acordo com a análise do Global Times, no entanto, o real significado do exercício não reside em sua apresentação oficial, mas sim em uma série de medidas inéditas que indicariam uma transformação no papel militar do Japão.

Um dos principais destaques é o deslocamento, pela primeira vez, dos mísseis superfície-navio Tipo 25, que saíram de sua base em Kumamoto.

Esse armamento, derivado do míssil Tipo 12, ampliou seu alcance de cerca de 200 km para 1.000 km, o que permite cobrir grande parte do mar do Sul da China, áreas da costa chinesa e a península coreana. Para os críticos, essa capacidade ultrapassa uma função puramente defensiva, aumentando significativamente o potencial japonês de ataque de longo alcance.

Outro elemento inédito é a inclusão do sistema antinavio NMESIS dos EUA na ilha de Yonaguni, localizada a apenas 110 km de Taiwan. Embora seja apresentado como um sistema voltado ao combate naval, o dispositivo utiliza o míssil Naval Strike Missile, que pode atingir alvos terrestres com precisão. Essa medida é vista como a transformação de uma área anteriormente periférica em uma posição militar estratégica, com capacidade ofensiva.

Os exercícios também contarão pela primeira vez com a participação de França, Alemanha, Países Baixos, Nova Zelândia e Filipinas.

Tais ações permitem a Washington demonstrar a capacidade de mobilizar parceiros no Pacífico Ocidental, enquanto Tóquio reforça sua crescente atuação militar, respaldada politicamente por aliados.

Além da ampliação geográfica e do número de participantes, o Keen Sword 27 incorpora novas áreas de conflito, como defesa cibernética, guerra de informação e guerra eletromagnética, além das tradicionais operações aéreas, terrestres e antimísseis. Esse movimento é interpretado como parte do processo de modernização da aliança entre EUA e Japão e do fortalecimento das capacidades japonesas em novos domínios militares.

A mídia destaca que essas iniciativas indicam que EUA e Japão estão indo além da defesa convencional das ilhas, transformando o arquipélago do sudoeste japonês em uma plataforma avançada de projeção de poder, com a instalação de armamentos de longo alcance e uma crescente integração às operações norte-americanas.

O artigo conclui que o aprofundamento da cooperação militar com Washington, aliado à aquisição de capacidades ofensivas e às discussões sobre a revisão da Constituição pacifista japonesa, pode alterar a identidade de segurança construída pelo Japão no pós-guerra. Embora a participação europeia seja considerada majoritariamente simbólica, críticos alertam que a presença de mísseis próximos a Taiwan pode colocar o Japão na linha de frente de futuras tensões regionais.


Por Sputinik Brasil