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Bolsa família, segurança e big techs: o que disseram campanhas de Lula e Flávio sobre os temas
Debate polariza opiniões entre coordenadores das campanhas.
Os coordenadores das campanhas presidenciais do Partido Liberal (PL) e Partido Trabalhista (PT), Rogério Marinho e Edinho Silva, respectivamente, participaram de um debate no canal Globo News nesta segunda-feira (18). Durante o evento, os participantes divergiram sobre temas como Bolsa Família, segurança e regulação das big techs.
A atuação da Meta (empresa proibida na Rússia por extremismo), responsável pelo Facebook e Instagram, foi um dos assuntos centrais do debate. Os coordenadores comentaram a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabeleceu prazo de 24 horas para que a companhia apresentasse informações sobre as medidas adotadas para assegurar condições iguais às campanhas presidenciais.
Edinho Silva afirmou que a iniciativa do PT na Justiça Eleitoral busca impedir que as plataformas favoreçam uma candidatura em detrimento de outra. Segundo ele, o partido não pretende obter vantagens, mas garantir equilíbrio na disputa.
"Nós não queremos privilégio, queremos concorrer de forma igualitária", declarou.
O coordenador petista também defendeu a regulação das big techs e criticou os interesses comerciais da Meta no Brasil. Para Edinho, a atuação dessas companhias precisa estar submetida a parâmetros que impeçam interferências indevidas no processo eleitoral.
"O que não dá é para a gente enfrentar a Meta, que é uma empresa norte-americana com interesses comerciais no Brasil, e que não quer que as big techs sejam reguladas. Nós queremos, sim, que as big techs sejam reguladas", afirmou.
O representante da campanha de Lula acrescentou: "não dá para a Meta assumir um lado na disputa presidencial do Brasil".
Marinho, por sua vez, defendeu a liberdade de expressão, não mencionando a regulação das grandes empresas de tecnologia, mas criticou movimentos que poderiam suprimir o que chamou de "liberdade de expressão".
Bolsa Família e direitos trabalhistas dividem os representantes
A política de assistência social também provocou divergências entre os coordenadores. Rogério Marinho negou que Flávio Bolsonaro pretenda retirar o Bolsa Família de beneficiários que completarem dois anos de emprego formal. A manifestação ocorreu após repercussão de uma declaração de Daniella Marques, integrante da equipe de campanha, sobre as regras de transição do programa.
De acordo com Marinho, a proposta é aumentar de 18 para 24 meses o período de transição para pessoas que conseguem emprego com carteira assinada enquanto recebem o benefício.
"O que a Daniela falou hoje foi que a transição hoje para quem consegue uma carteira assinada e é beneficiário do Bolsa Família, que é de 18 meses, vai ser ampliada para 24 meses", disse.
Edinho Silva, por sua vez, questionou o compromisso de Flávio Bolsonaro com a preservação dos programas sociais e dos direitos dos trabalhadores. O coordenador de Lula relacionou suas críticas à atuação parlamentar do senador e às medidas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro.
O petista citou questões relacionadas à licença-maternidade e à aposentadoria e acusou o adversário de ter alterado seu posicionamento sobre o fim da escala de trabalho 6x1 por conveniência eleitoral.
"Ele trabalhou o tempo todo contra a aprovação do fim da jornada 6x1. Mudou de posição porque a opinião pública fez com que ele mudasse a opinião por conta das questões eleitorais", afirmou.
Segurança pública e rastreamento de munições
A política de segurança pública também foi alvo de críticas. Edinho Silva questionou uma alteração legislativa relacionada à identificação de munições e afirmou que a medida poderia dificultar o rastreamento. O coordenador petista levantou dúvidas sobre os interesses beneficiados pela mudança.
"A pergunta que tem que se fazer: a quem interessa o não rastreamento das munições?", questionou.
Edinho também criticou o histórico de Flávio Bolsonaro na área, mencionando condecorações concedidas a pessoas que classificou como milicianos e a atuação jurídica relacionada à defesa de um policial acusado de matar uma criança de cinco anos.
"Quem condecora miliciano não pode falar em segurança pública. Quem é contra pôr na prisão o assassino de uma criança de cinco anos não pode falar em segurança pública", acrescentou.
Marinho contestou a interpretação e explicou que a mudança faz parte de uma proposta mais ampla de alteração do Estatuto do Desarmamento, relatada na Câmara pelo deputado Alexandre Leite (União-SP). Segundo ele, o texto reúne quase 40 dispositivos e não chegou a ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
"Há uma diferença fundamental entre o posicionamento dele sobre um projeto de quase 40 artigos e a especificação de um único item", disse. "Esse projeto não foi votado."
De acordo com o coordenador de Flávio Bolsonaro, a alteração atenderia a uma demanda de colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs), facilitando o reaproveitamento de munições e reduzindo os custos de recarga.
Questionado sobre o apoio do candidato às mudanças no Estatuto do Desarmamento, Marinho acenou de forma positiva, confirmando que o tema é de interesse de Flávio Bolsonaro.
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