Geral

Festival Municipal de Bumba Meu Boi encerra competição com apresentações de 13 grupos da categoria especial

Última noite do evento reuniu bois de diferentes bairros de Maceió; resultado dos campeões dos grupos de acesso e especial será divulgado nesta segunda-feira (19)

Prefeitura de Maceió 19/10/2026
Festival Municipal de Bumba Meu Boi encerra competição com apresentações de 13 grupos da categoria especial
Ultima noite do Festival Municipal de Bumba Meu Boi em Maceió com 13 grupos competeindo. - Foto: Jonathan Lins/ Arquivo Secom Maceió

A terceira e última noite do 33º Festival Municipal de Bumba Meu Boi movimentou Maceió, neste domingo (18), com apresentações de 13 grupos da categoria especial que disputam o título de campeão municipal. Realizado pela Prefeitura de Maceió, por meio da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC), em parceria com a Liga de Bumba Meu Boi de Alagoas, o evento encerrou a etapa competitiva com espetáculos que celebraram a cultura popular, valorizaram as tradições e promoveram reflexões sobre temas sociais e históricos.

Com produções que envolveram música, dança, indumentárias e cenografias, os grupos levaram ao público narrativas que atravessam gerações e representam a diversidade cultural brasileira. A expectativa agora é pela divulgação dos resultados da competição, prevista para esta segunda-feira (19), quando serão conhecidos os campeões municipais dos grupos de acesso e especial.

Encerramento da competição foi marcado pela diversidade de temas, pela criatividade dos grupos e pela valorização de uma das mais tradicionais manifestações culturais de Alagoas. Foto: Jonathan Lins/ Secom Maceió

O presidente da FMAC, Myriel Neto, destacou a importância do festival para a preservação das manifestações populares e o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos grupos ao longo do ano.

“Cada apresentação mostra a força da nossa cultura popular e o talento de quem mantém essa tradição viva. O Bumba Meu Boi é identidade, memória e resistência. A Prefeitura de Maceió tem orgulho de apoiar esses grupos, valorizar os artistas dos nossos bairros e garantir que essa manifestação continue emocionando o público e passando de geração em geração”, afirmou.

A diversidade de temas foi um dos destaques da programação. O Boi Escorpião apresentou uma mensagem de inclusão das pessoas autistas, com o tema “Amar é incluir”, reforçando a importância do respeito e da compreensão. Já o Treme Terra levou à arena histórias do sertão, destacando a luta, a fé e a força do povo sertanejo diante das adversidades.

O Força Bruta homenageou São Francisco de Assis e o amor pelos animais, com destaque para os cães sem raça definida. O Africano, por sua vez, apresentou o tema “Brasil, essa terra é nossa”, valorizando os povos originários e as raízes ancestrais do país. O Cobra Negra resgatou a história de Antônio Conselheiro e da Guerra de Canudos, com o espetáculo “Entre a Fé e a Tragédia”.

Figurinos elaborados e alegorias deram vida aos temas apresentados pelos grupos na última noite de competição. Foto: Jonathan Lins/ Secom Maceió

A cultura e a resistência também estiveram presentes na apresentação do Boi Axé, que exaltou a Feira de Caruru, seus feirantes e a diversidade de produtos que movimentam esse espaço de tradição e trabalho. O Fênix levou à arena uma homenagem aos Ibejis, Erês, Cosme e Damião, unindo religiosidade, tradição e a alegria da distribuição de doces durante o mês de setembro.

O Vingador apresentou “Iyá Obá”, destacando as trajetórias de Acotirene, Aqualtune e Dandara, mulheres ligadas à história do Quilombo dos Palmares, em uma celebração da negritude, da resistência e da luta feminina. Com o tema “Agbára”, o Tigre abordou a força da terra, dos mais velhos, do aquilombamento e da ancestralidade.

A história do trabalho e da economia brasileira ganhou espaço com o Bumbá Alagoano, que apresentou “Café — O ouro negro do Brasil”. O espetáculo percorreu a história dos cafezais, a riqueza associada ao grão e a resistência das pessoas escravizadas que trabalharam nessas lavouras, estabelecendo conexões com o uso contemporâneo do café.

O Dragão trouxe uma reflexão sobre saúde mental com “Retalhos da Vida — Nem toda dor faz barulho”, abordando experiências relacionadas à depressão e à ansiedade e destacando a importância da fé, da esperança, da união e da empatia.

Bois levaram à arena histórias de fé, ancestralidade, resistência, inclusão e valorização da cultura popular brasileira. Foto: Jonathan Lins/ Secom Maceió

A cultura afro-brasileira também foi celebrada pelo Boi Safary, que apresentou “A cidade que dança”, uma homenagem à Bahia, suas manifestações culturais, artistas, carnaval, gastronomia e religiosidade, com destaque para as raízes afro-brasileiras e a força do matriarcado nos terreiros de Candomblé. Encerrando a relação de temas da noite, o Cão de Raça homenageou Iemanjá, exaltando a rainha dos mares e a fé de matriz africana em uma apresentação marcada pelos tons de azul e branco.

Ao longo das três noites de competição, o Festival Municipal de Bumba Meu Boi reuniu grupos de diferentes bairros da capital, evidenciando a diversidade de linguagens, histórias e expressões que compõem a cultura popular alagoana.

Além de promover o encontro entre artistas e público, o evento fortalece o trabalho dos brincantes, mestres e produtores culturais que mantêm viva uma das manifestações mais representativas da identidade do estado. Com o encerramento das apresentações, a expectativa se volta para a apuração dos resultados, que definirá os campeões municipais das categorias de acesso e especial nesta segunda-feira (19).