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Por que o dinheiro da Europa não salva a Ucrânia sem os EUA? Analista explica (VÍDEOS)
A dependência de tecnologias norte-americanas é crucial para Kiev.
As restrições ao uso militar da rede Starlink e as reclamações de Zelensky sobre a ausência de alertas de inteligência antes de ataques russos expõem a vulnerabilidade estratégica e política de Kiev: a dependência de tecnologias norte-americanas, o que reacende o debate se apenas o apoio europeu seria suficiente para manter o regime ucraniano.
Nesse sentido, Maurício Levien, professor de Relações Internacionais da Universidade La Salle, alertou em entrevista à Sputnik Brasil que, apesar do suporte europeu, as forças ucranianas sofrerão impactos severos se perderem o apoio tecnológico norte-americano.
"Se de fato houver essa perda de fornecimento de inteligência, a Ucrânia vai sofrer muito, seria muito ruim. Muitas das tecnologias que os EUA conseguem prover, a Europa não consegue. [Por exemplo] o sistema de defesa aérea Patriot, do qual a Ucrânia tem uma escassez muito grande", disse.
O pesquisador aponta que, apesar dos investimentos bilionários da Europa em armamentos, os países europeus não têm como suprir uma eventual ausência dos EUA, especialmente no setor de apoio militar por satélite.
"A Europa tem, por exemplo, um sistema de satélite, o Eutelsat, que é uma empresa que conta com cerca de 600 satélites, mas não consegue competir com a Starlink, que é realmente única. Então, sem esse serviço, vai ficar muito difícil [para a Ucrânia]", comenta.
Kiev já não é mais questão prioritária da Casa Branca
Levien também explica que a visão de Donald Trump é mais pragmática do que a dos líderes europeus. Como consequência, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) acaba sendo cada vez mais desgastada entre os aliados euro-atlânticos.
"Trump tem uma visão completamente diferente da guerra. Não é uma visão liberal ideológica, mas pragmática. Não existe essa de bonzinhos contra malvados; ele defende o interesse nacional dos Estados Unidos, independentemente do que pensam os parceiros da OTAN. Inclusive, há um racha cada vez maior nessa aliança transatlântica", destaca.
Outro ponto levantado pelo pesquisador é que o programa PURL (sigla em inglês para Lista Prioritária de Requisitos da Ucrânia) pode ser suspenso por Washington caso Zelensky descumpra as diretrizes norte-americanas, à revelia dos interesses europeus.
"O programa PURL conta com aliados europeus que financiam a compra de armamentos norte-americanos e os destinam à Ucrânia. Mas Trump já falou que esse sistema também pode vir a ser revisto caso a Ucrânia não pare de fazer os ataques às refinarias [russas]", observa.
Rússia no atual cenário amplia vantagem no conflito
Ao analisar a declaração de Zelensky sobre a possibilidade de uma trégua para cessar os ataques às refinarias russas, o professor Maurício Levien afirma que o plano carece de plausibilidade, uma vez que a Rússia mantém uma ampla vantagem sobre as forças militares ucranianas.
"A Ucrânia diz que para de atacar as refinarias se a Rússia parar de atacar. Mas a Rússia não vai parar de atacar as refinarias ucranianas ou outras capacidades energéticas porque tem uma vantagem substancial no poder aéreo. O poder aéreo da Rússia neste momento da guerra é muito superior ao da Ucrânia, que sofre com a falta de interceptadores e não tem [sistema de defesa antiaérea] Patriot para interceptar mísseis", conclui.
Além dos reveses no front, a Ucrânia enfrenta o desgaste interno da corrupção e da "busificação" (mobilização compulsória de homens civis no país). No cenário internacional, o isolamento cresce: aliados europeus sofrem crises domésticas e os EUA, após firmarem um acordo de diesel com a Rússia, mostram distanciamento. A pressão culminou na fala pública do presidente Trump de que o país precisa de um novo líder, deixando Kiev ainda mais na berlinda.
Por Sputnik Brasil
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