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Coligação aciona ONU, PGE e PF para apurar ilegalidades da Meta nas eleições brasileiras

Relatório denuncia suposto favorecimento à campanha de Flávio Bolsonaro nas redes sociais.

Sputnik Brasil 17/10/2026
Coligação aciona ONU, PGE e PF para apurar ilegalidades da Meta nas eleições brasileiras
Coligação denuncia ilegalidades da Meta em apoio à campanha de Flávio Bolsonaro nas eleições brasileiras. - Foto: © AP Photo / Eric Risberg

A Coligação 'Brasil Pronto pra Mais', composta por Federação Brasil da Esperança, Federação PSOL/Rede e os partidos PSB e PDT, enviou para a ONU neste sábado (17) um relatório técnico que acusa a Meta (empresa proibida na Rússia por extremismo) de atuar em favor do candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL).

De acordo com o documento, a dona das plataformas WhatsApp, Facebook e Instagram distribuiu conteúdos políticos de forma não isonômica entre as candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu adversário nas eleições de 2026, o senador Flávio Bolsonaro.

O Relator Especial da ONU sobre a Promoção e Proteção do Direito à Liberdade de Opinião e Expressão, Leopoldo Maldonado Gutiérrez, deverá analisar o pedido.

Outro documento foi enviado ao procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet, e à Polícia Federal (PF) para apurar se a campanha de Bolsonaro recebeu vantagens econômicas de distribuição e produção de conteúdo na plataforma, o que pode configurar crime previsto no art. 350 do Código Eleitoral.

O documento enviado ao relator da ONU contém material que aponta um tratamento desigual por parte da Meta na distribuição e disponibilização de conteúdo da campanha, beneficiando Bolsonaro.

Na denúncia enviada aos órgãos brasileiros, foram documentados episódios que indicam que a candidatura de Flávio Bolsonaro obteve da plataforma serviços e benefícios economicamente quantificados, sem o devido registro.

Um trecho do relatório afirma que, entre 1º de setembro e 14 de outubro, o perfil de Flávio, com menos seguidores (14,2 milhões contra 17,4 milhões), teve média de 6,68 milhões de visualizações por vídeo curto, 39% acima do perfil de Lula (4,81 milhões).

'Levantamento técnico estima excedente de 348,5 milhões de visualizações, equivalente bruto hipotético de cerca de R$ 7,44 milhões ao preço de impulsionamento pago pela campanha de Lula', diz a Notícia Fato.

Com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizados em 13 de outubro, a coalisão informa que as declarações da campanha de Flávio Bolsonaro totalizaram R$ 78,6 milhões em receitas, e R$ 7,45 milhões foram pagos à Facebook Serviços Online do Brasil em impulsionamento, mas não foi registrado valor estimável recebido da plataforma.

O instrumento extrajudicial também afirma que, no início de outubro, o perfil do senador aparecia recomendado nas buscas do Instagram, enquanto o de Lula não aparecia em certas pesquisas. No WhatsApp, a busca pelo canal suspenso 'Exército do Lula' pelo TSE passou a sugerir o canal 'Tropa do Flávio'. O texto cita uma reportagem da Folha de S.Paulo, em que a Meta reconheceu parte dos episódios.

Houve ainda, segundo o relatório, uma situação em 14 de outubro em que a ferramenta de IA do WhatsApp gerou peças com as mensagens 'FLÁVIO 22' e 'VOTE 22!', mas não produziu pedidos equivalentes com o nome de Lula.

'A Notícia de Fato lembra ainda que a campanha de Lula sofreu, no mesmo período, restrições reconhecidas pela própria Meta: desabilitação da conta de anúncios, interrupção da contagem de visualizações e impedimento de impulsionar publicações por quase 24 horas', diz o documento.

O grupo solicita a instauração de procedimento de apuração, com a oitiva de Flávio Bolsonaro, do tesoureiro da campanha, Marcelo Lopes de Azevedo, da Meta e de seus dirigentes, Conrado Leister e Laura Chiavone. A cooperação jurídica internacional dos Estados Unidos para obter registros da Meta Platforms também foi requisitada.

Há pedidos adicionais de chamados e mensagens internas, dados de alcance e histórico dos filtros e configurações dos sistemas de recomendação da Meta, além do compartilhamento dos documentos entregues pela empresa, sob sigilo, na Representação nº 0602746-69.2026.6.00.0000, que está em curso no TSE.


Por Sputinik Brasil