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Fim da escala 6x1 será mantido, afirma Flávio Bolsonaro, que defende PEC das horas trabalhadas

Sputnik Brasil 16/10/2026
Fim da escala 6x1 será mantido, afirma Flávio Bolsonaro, que defende PEC das horas trabalhadas
Flávio Bolsonaro durante sabatina na TV Globo sobre suas propostas políticas. - Foto: © Reprodução/TV Globo

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) foi sabatinado nesta sexta-feira (16) em entrevista ao vivo conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, na TV Globo, no Rio de Janeiro (RJ).

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (16), em sabatina na TV Globo conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, que, se eleito, não tentará reverter o fim da escala 6x1, promulgado mais cedo. O candidato, que anteriormente havia classificado a proposta como eleitoreira e oportunista, disse ter mudado de posição após ouvir trabalhadores favoráveis à medida.

"Direitos trabalhistas serão garantidos", afirmou Flávio, que também descartou eliminar os pisos constitucionais de gastos com saúde e educação e prometeu manter os reajustes do salário mínimo acima da inflação, sem desvincular as aposentadorias desse índice.

Flávio voltou a defender o fim da reeleição presidencial e afirmou que pretende governar por apenas um mandato, mesmo que o Congresso não aprove a ampliação da duração do mandato para cinco anos. "Eu só preciso de um mandato para começar a consertar o nosso país de verdade", declarou.

Ajuste Fiscal

Na área econômica, o candidato propôs um ajuste fiscal de R$ 200 bilhões sem reduzir os gastos mínimos com saúde e educação ou reajuste do salário mínimo, porém sem dar detalhes sobre como tornar isso possível. Entre as medidas, citou a redução de dez ministérios dos atuais 39 e a venda de 30 mil imóveis da União.

Também mencionou a exploração de petróleo na Margem Equatorial como fonte de receitas, embora a viabilidade e o prazo de exploração – previsto para 2033 – tenham sido questionados durante a entrevista.

Ligações com Master

Questionado sobre o financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, "Dark Horse", o candidato classificou o negócio como privado, envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a quem pediu R$ 134 milhões.

Flávio afirmou que não houve contrapartida relacionada ao seu mandato de senador e que a produtora prestou contas dos recursos utilizados, repetindo que era dinheiro proveniente de investimento "privado". Vale ressaltar que o Banco Master recebeu financiamento de governos estaduais utilizando fundos de previdência, como o estado do Rio de Janeiro.

Ao ser pressionado sobre o destino do dinheiro e a diferença entre o valor solicitado e o custo apontado para o filme, tentou deslocar o debate para relações de Vorcaro com integrantes do governo Lula (PT) e para negócios envolvendo a própria Globo.

Área institucional

Na área institucional, o candidato voltou a criticar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes, e defendeu mudanças no funcionamento do Judiciário. Também negou que Jair Bolsonaro tenha participado de uma tentativa de golpe de Estado, classificando a condenação do pai como uma farsa. Apesar de contestar a caracterização dos atos de 8 de janeiro de 2023 como tentativa de golpe, afirmou que depredações e agressões a policiais devem ser punidas conforme a lei.

O senador descartou nomear o irmão Eduardo Bolsonaro como ministro das Relações Exteriores, dizendo que é um "perseguido político". "Algum dia, a história ainda vai reconhecê-lo como alguém que se sacrificou para defender a democracia no nosso país [...] Eduardo faz sim um trabalho brilhante. A questão de ele ser chanceler é outro assunto", afirmou.

Perguntado se daria um cargo para o pai e ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio não descartou a hipótese.

Segurança pública

Para a segurança pública, prometeu ampliar a atuação das Forças Armadas nas fronteiras, classificar o Comando Vermelho, o PCC e as milícias como organizações narcoterroristas e incluir o Brasil na iniciativa dos EUA, o "Escudo das Américas", com intercâmbio de informações e inteligência.

O candidato defendeu ainda mudanças na legislação penal e o cumprimento integral das penas por integrantes de facções criminosas. Sobre o acesso a armas, argumentou que cidadãos que atendem aos requisitos legais devem poder adquirir armamentos para defesa pessoal e patrimonial.

Questionado sobre a possibilidade de retirar a marcação de munições, porém, não explicou como a medida contribuiria para o combate ao crime organizado. Também criticou o Estatuto do Desarmamento, afirmando que a legislação precisa ser modificada.

Ao abordar investigações envolvendo aliados políticos no Rio de Janeiro, entre eles Márcio Canella, Rodrigo Bacellar e o ex-governador Cláudio Castro, Flávio defendeu a presunção de inocência, mas afirmou que eventuais envolvidos em crimes devem responder à Justiça. Disse ainda que pretende endurecer as penas e manter presos por mais tempo aqueles que forem condenados.

Mais cedo, o senador e o coordenador de campanha, Rogério Marinho, almoçaram na sede da emissora com o presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e com o vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet.

Em nota oficial, a emissora minimizou as críticas, classificando o evento como uma "visita institucional" de cortesia, ressaltando que o encontro não contou com nenhuma liderança do departamento de Jornalismo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi sabatinado ontem (15) pela Rede Globo, no mesmo formato que o senador, mas não foi noticiado nenhum encontro do mandatário com a alta cúpula da emissora.

A série de sabatinas encerra as entrevistas individuais do segundo turno. Os dois candidatos voltam a se enfrentar diretamente no debate da Band/Jovem Pan neste domingo (18), às 20h, e no debate da própria TV Globo no dia 23 de outubro. A votação definitiva ocorre em 25 de outubro.

Disputa acirrada

A disputa entre o senador e o petista está tecnicamente empatada, segundo levantamento do instituto Datafolha divulgado na quinta-feira (15).

Nos votos válidos, Flávio tem 51%, contra 49% de Lula, diferença dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. Na pesquisa da última semana, Flávio aparecia com 52% dos votos válidos, ante 48% de Lula.

Ao considerar a totalidade das intenções de voto, incluindo brancos, nulos e indecisos, o candidato do PL registra 47%, enquanto o petista tem 45%. Na rodada anterior, Flávio tinha 49% e Lula já pontuava 45%. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro liderou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.


Por Sputinik Brasil