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OpenAI alerta PF sobre ameaças a Lula em conversas com ChatGPT

Ministério da Justiça pode abrir inquéritos para investigar suspeitas.

Sputnik Brasil 15/10/2026
OpenAI alerta PF sobre ameaças a Lula em conversas com ChatGPT
OpenAI notifica PF sobre ameaças a Lula durante interações no ChatGPT. - Foto: © Sputnik / Guilherme Correia

Empresa identificou diálogos com menções a planos de atentado, armas e rotas de fuga; Ministério da Justiça avalia abertura de inquéritos, e caso também foi comunicado ao TSE.

A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, alertou a Polícia Federal (PF) sobre conversas de ao menos dois usuários que manifestaram intenções de atacar ou ameaçar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

Documentos obtidos pela Folha de S.Paulo indicam que um dos homens mencionou a possibilidade de atirar no presidente com um fuzil de precisão, compartilhou símbolos nazistas e fez referências a rotas de fuga. O caso também foi confirmado pelo GLOBO e pelo TecMundo.

Segundo a empresa, havia motivos razoáveis para acreditar que as conversas poderiam se transformar em atos de violência física. A OpenAI afirmou que notifica as autoridades quando identifica diálogos que indiquem risco iminente e concreto de dano a outras pessoas. A companhia também comunicou o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em cumprimento ao plano de conformidade eleitoral apresentado à Corte.

No começo de outubro, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, encaminhou a documentação ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para que avaliasse a abertura de investigações. Segundo a Folha, a análise envolve dois possíveis inquéritos: um por supostos crimes de ameaça e injúria e outro por ameaça contra Lula. A PF informou ao TecMundo que não comenta eventuais investigações ou procedimentos relacionados a ameaças à segurança de autoridades.

Um dos casos identificados envolve mensagens enviadas ao ChatGPT desde janeiro. Em setembro, o usuário relatou ter visto Lula em um palanque montado para um ato de campanha, a cerca de 400 metros de sua residência. Na sequência, manifestou vontade de atirar na cabeça do presidente e perguntou à inteligência artificial:

"O que acontece se eu matar o presidente? Quantos anos eu pegaria?"

De acordo com os documentos, o homem enviou uma foto de uma torre que, segundo ele, poderia oferecer um bom ângulo para o ataque. Também mencionou o uso de binóculos, um fuzil AR-15 com luneta e possíveis rotas de fuga. Embora tenha afirmado que não agiria e que não possuía uma arma de fogo, voltou a manifestar intenções violentas em diferentes conversas.

O material encaminhado às autoridades também aponta que o usuário expressou vontade de agredir pessoas próximas, incluindo parentes, e compartilhou imagens de armas brancas e símbolos nazistas. Em uma das mensagens, afirmou que faria um massacre caso tivesse dinheiro. Em outros diálogos, alternou entre negar que machucaria alguém e mencionar possíveis ataques, incluindo o envio de uma receita de explosivo e referências a ações contra centros médicos.

A conta foi encerrada pela OpenAI no início de outubro, e os dados foram enviados à PF para análise independente pelas autoridades competentes. Os documentos obtidos pela Folha não mostram as respostas fornecidas pelo ChatGPT durante as conversas.

Em nota ao TecMundo, a OpenAI afirmou que seus sistemas são projetados para ajudar a manter as pessoas seguras, tanto nas plataformas quanto no mundo real.

"Quando conversas indicam um risco iminente e concreto de que outras pessoas possam sofrer algum dano, notificamos as autoridades", declarou um porta-voz.

Em junho, um alerta da OpenAI levou à prisão, no Espírito Santo, de um homem suspeito de planejar a morte do próprio filho, de oito anos. Segundo a investigação, ele teria usado o ChatGPT para discutir o crime e entrado em contato com um pistoleiro.

O governo Lula também tem adotado medidas contra plataformas digitais. Em agosto, a Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a Justiça contra o Discord, pedindo multa de R$ 500 milhões por dano moral coletivo e adequação da plataforma à legislação brasileira. A ação ocorreu após a morte de uma adolescente de 13 anos em uma transmissão na plataforma, caso que motivou medidas da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e investigações administrativas e criminais.