Geral
Groenlândia contesta Trump sobre exploração de recursos naturais
Território reafirma seu distanciamento de uma exploração massiva
O vice-ministro de Mineração da Groenlândia, Jørgen Hammeken-Holm, contestou nesta quarta-feira, 14, as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que o território autônomo está "muito longe de uma exploração 'massiva'" de recursos naturais.
Mais cedo, Trump declarou em uma publicação na Truth Social que uma "exploração massiva de petróleo, gás e minerais" estava "prestes a começar em nossa nova e bela Groenlândia".
O republicano afirmou: "Há especialistas que afirmam que a quantidade de petróleo de fácil acesso é muito maior do que a encontrada em quase qualquer outro território do mundo e, ainda mais importante, do ponto de vista da segurança, tanto para a defesa quanto para o ataque dos EUA e da Europa, não há nada que se compare a ela".
Trump acrescentou: "Qualquer ataque futuro aos EUA terá de passar pela Groenlândia, onde nossas defesas derrubarão rotineiramente drones, mísseis ou qualquer outra forma de armamento que sequer tenha sido concebida. Isso nos dá tempo, localização e campo de visão como em nenhum outro lugar do mundo".
Hammeken-Holm reconheceu, em entrevista à emissora americana CNN, que "há atividades de empresas americanas" na região, mas reiterou que a Groenlândia está "muito longe de uma exploração 'massiva'". "Há várias atividades de exploração de menor escala em andamento, mas elas podem levar anos até se tornarem operacionais", acrescentou.
A parlamentar Naaja H. Nathanielsen, representante da Groenlândia no Parlamento da Dinamarca, declarou à Associated Press que não ficou surpresa nem preocupada com a publicação de Trump. "É simplesmente assim que o presidente decide se manifestar", afirmou. "Acho que todos nós já esperamos algo do tipo".
Naaja também comentou que os projetos atuais relacionados à extração de recursos ainda estarão a anos de uma possível concretização. "Reconheço a preocupação nos EUA, mas acho que essa não é uma solução rápida. Não haverá petróleo extraído na Groenlândia em um futuro próximo", disse.
A parlamentar não se incomodou com Trump chamando a ilha de "nossa Groenlândia": "É claro que considero isso um tanto desrespeitoso, mas também é possível interpretar a expressão como um termo carinhoso, se quisermos ser muito generosos. Neste momento, não dou muita importância a isso".
A Groenlândia, situada na rota mais curta para mísseis entre a Rússia e os EUA, representa uma localização estratégica para o "Domo Dourado", projeto de escudo de defesa proposto por Trump. A região possui ainda reservas de terras raras inexploradas e poderia se tornar crucial, à medida que o degelo polar abre novas rotas marítimas.
Trump assinou um acordo de segurança com líderes da Groenlândia e da Dinamarca em setembro. Nos termos do pacto de 10 páginas, os EUA construirão duas bases militares no sul e no leste da Groenlândia.
As bases serão estabelecidas em Narsarsuaq, no sul da ilha, e em Mestersvig, no leste, além da base já em operação em Pituffik, no norte.
*Com informações de agências internacionais.
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