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Ibovespa tem queda firme com risco de alta de juros nos EUA e de olho em eleição

Investidores avaliam cenário local e internacional; PEC 6x1 e desempenho do CPI norte-americano no radar.

Estadao Conteudo 14/10/2026
Ibovespa tem queda firme com risco de alta de juros nos EUA e de olho em eleição
Ibovespa - Foto: Depositphotos

Os investidores da B3 iniciaram a sessão avaliando o volume de serviços prestados no Brasil e o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. O CPI dita as apostas para os juros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Ao mesmo tempo, o mercado financeiro espera a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1, prevista para hoje no Senado, e a pesquisa eleitoral da Quaest, que será divulgada após o encerramento dos negócios na Bolsa. Há queda quase generalizada na carteira teórica de 76 ações.

Após abrir na máxima de 206.881,00 pontos, o Ibovespa adotou uma série de mínimas, acompanhando a piora das bolsas em Nova York após a divulgação do índice de preços ao consumidor, que registrou alta de 3,7%, acima da esperada (3,6%) e superior aos 2% da meta do Federal Reserve.

Além disso, segue no radar a disputa presidencial acirrada no Brasil. Também pesa a cautela com a expectativa de votação da PEC que acaba com a escala 6x1, bandeira do presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na terça-feira, o oponente de Lula, Flávio Bolsonaro (PL), que conta com a preferência do mercado financeiro, recuou e afirmou que votará a favor da PEC hoje, no Senado.

Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, o desempenho da B3 reflete a reação dos mercados em Nova York ao CPI dos EUA, que registrou alta acima da esperada. "O mercado voltou a projetar mais uma alta de juros nos Estados Unidos. Juros dos Treasuries avançando no nível como o de hoje não há Bolsa que aguente", afirma.

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 1,04%, aos 206.887,52 pontos, após ter atingido o nível inédito de 209 mil pontos na sexta-feira. Além do cenário externo, a correção foi atribuída por analistas à disputa presidencial acirrada.

O empate técnico entre Flávio e Lula nas pesquisas elevou a incerteza sobre o segundo turno, limitando a exposição a ativos de risco.

"Foi uma movimentação principalmente de realização de lucros, diante das últimas máximas históricas, e em meio à sensibilidade ao cenário eleitoral", afirma Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.

Hoje, segundo Cecco, a subida da curva de juros nos EUA acaba tendo maior efeito sobre os ativos. "Houve reação praticamente imediata", diz. Outro ponto importante a ser monitorado é a PEC que acaba com a escala 6x1.

Sobre a PEC da escala 6x1, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que há assinaturas suficientes para a apreciação do requerimento de calendário especial para a proposta.

Após recuar e declarar publicamente que votará a favor da PEC do fim da escala 6x1, o senador do PL sinalizou a aliados e empresários que pretende rever pontos da proposta caso seja eleito.

Foi divulgado recentemente o volume de serviços prestados, que caiu 0,1% em agosto ante julho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio pior do que a mediana das estimativas encontradas na pesquisa feita pelo Projeções Broadcast, que previa alta de 0,5%, com variações de -0,5% a +1,3%. O dado mantém as expectativas de novo recuo da taxa Selic no Comitê de Política Monetária (Copom) no próximo mês.

Às 11h34, o Ibovespa caía 1,15%, a 204.498,54 pontos, após ter registrado recuo de 1,65%, na mínima a 203.463,77 pontos, após abertura na máxima a 206.881,00 pontos.

De 76 ações, apenas 8 subiam, caso da Petrobras, que teve elevação de cerca de 1%. Com juros futuros em alta, papéis mais sensíveis ao ciclo econômico, como varejistas (Magazine Luiza: -6,78%) e bancos, recuavam com força. A unidade de BTG Pactual, por exemplo, caía 3,89%. Já a Vale perdia 1,34%, em meio ao recuo do minério.