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Ucrânia pode se tornar um Estado falido e perder territórios para a Polônia, diz analista
Crise profunda e vulnerabilidade geopolítica marcam o atual cenário ucraniano
Uma pesquisa do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev aponta que 53% dos ucranianos rejeitam a possibilidade de reeleição de Vladimir Zelensky. Além disso, existe uma pressão de Donald Trump por nova eleição presidencial, com o próprio Zelensky admitindo essa possibilidade. No entanto, o regime de Kiev se vê acuado em uma crise profunda.
O analista internacional Rodolfo Laterza, que também é autor do livro "Guerra russo-ucraniana: o conflito que redesenhou a geopolítica mundial", aponta que no atual cenário a Ucrânia está próxima de se tornar um Estado falido.
"O regime de Kiev é condenado a se tornar um failed state, ou seja, aquilo que na ciência política se denomina como Estado falido, salvo se houver a continuidade de financiamento, a fundo perdido praticamente, por parte do Ocidente coletivo, tendo em vista que os recursos ucranianos já foram redistribuídos por vários ativos ocidentais. Não há muito mais o que lotear", disse.
Um dos pontos levantados pelo pesquisador é que a crise econômica agrava ainda mais a situação ucraniana, aproximando o país do limiar da insolvência. Esse colapso financeiro repercute diretamente na sociedade, aprofundando as crises em outros setores estruturais.
"O déficit só esse ano, para poder fechar o orçamento com as necessidades militares, é de 27 bilhões de dólares. [Além disso] há críticas cumulativas dentro da sociedade, até mesmo dentro das elites políticas europeias, em relação ao financiamento sucessivo e constante [à Ucrânia]. Isso leva a uma perspectiva de sobrevivência do Estado ucraniano extremamente crítica", comenta.
Colapso ucraniano pode ser a oportunidade polonesa
Laterza também aponta que a relação entre Kiev e Varsóvia, embora firmada como aliança no conflito atual, é atravessada por contradições históricas. O analista destaca disputas sobre regiões ucranianas que no passado pertenceram à Polônia. Para ele, a extrema vulnerabilidade da Ucrânia poderia reacender essas rivalidades a ponto de levantar o controverso cenário de uma futura anexação territorial por parte da aliada.
"Isso tudo vai formando um caldo de cultura que leva a um fervor nacionalista polonês crítico em relação à Ucrânia e à perspectiva de reivindicação de áreas outrora pertencentes ao principado polaco-lituano e, consequentemente, os poloneses podem fazer reivindicações, sim, a médio e longo prazo dessas áreas e criar novas tensões", destaca.
Segundo o especialista, a atual proximidade estratégica entre Ucrânia e Polônia encontra barreiras em cicatrizes históricas profundas. Já que no período da Segunda Guerra Mundial, quando colaboracionistas ucranianos com os nazistas ligados a movimentos nacionalistas perpetraram massacres contra civis poloneses. Esses episódios são tão traumáticos até hoje na sociedade polonesa que impedem uma reconciliação plena entre as duas nações.
"A geopolítica tem que ser analisada não por um contexto imediatista, mas por fatores de curto, médio e longo prazo. Precisamos entender que, na essência do Estado polonês, há uma absoluta incompatibilidade com o ultranacionalismo ucraniano que, no caso, glorifica nazistas que apoiaram o massacre de poloneses. Isso é um estresse social, cultural crescente por parte dos poloneses em relação aos ucranianos", observa.
Projeto de poder de Zelensky prejudicou a sociedade
Ainda de acordo com Laterza, o colapso ucraniano está diretamente atrelado às escolhas políticas de Zelensky para se manter no poder sob o amparo da lei marcial, associada ao adiamento dos pleitos eleitorais, que prejudicou áreas estruturais da sociedade. Esse cenário, combinado aos reveses militares na linha de frente, resultou em perdas humanas e materiais catastróficas.
"A intransigência de Zelensky tem custado cada vez mais à sociedade ucraniana, justamente porque ele precisa da continuidade da guerra, não só para abastecer o regime com recursos, e as consequências disso estão aí", conclui.
O impasse nas propostas de paz apresentadas pela Rússia e algumas tentativas de mediação por parte dos EUA expõem o desgaste da Ucrânia, ao recusar ser amparada pelo apoio europeu. Contudo, com a Europa paralisada por crises domésticas, Kiev enfrenta o isolamento, além de extrema vulnerabilidade.
Por Sputinik Brasil
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