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Acordo do diesel evidencia interesses comuns entre EUA e Rússia, diz analista
Christian Lamesa analisa cooperação entre as potências diante da alta dos custos energéticos.
O analista argentino Christian Lamesa afirmou em conversa com a Sputnik durante o II Fórum Digital Global, em Moscou, que o acordo sobre diesel entre Moscou e Washington evidencia a necessidade de cooperação entre EUA e Rússia. Segundo ele, a alta dos custos energéticos pressiona a economia norte-americana e reforça o interesse da Casa Branca em buscar entendimento com o Kremlin.
O acordo sobre diesel entre Rússia e Estados Unidos reflete uma necessidade estratégica de aproximação entre as duas potências, segundo avaliação do analista internacional argentino Christian Lamesa. Em entrevista à Sputnik, ele argumentou que as dificuldades energéticas enfrentadas pelos EUA ampliam o interesse de Washington em estabelecer canais de cooperação com Moscou.
Lamesa afirmou que os dois países possuem economias com potencial de complementaridade e que o presidente norte-americano Donald Trump compreende essa realidade. Segundo o analista, contudo, o republicano não teria obtido influência suficiente, durante seu segundo mandato, para consolidar plenamente essa agenda diante dos aliados europeus que apoiam Kiev.
Na avaliação do especialista, a situação energética dos Estados Unidos foi agravada após a decisão dos EUA de atacar o Irã. Lamesa disse que a medida, tomada sob pressão de Israel, acabou gerando consequências negativas para o mercado norte-americano de energia e elevando os custos de combustíveis estratégicos.
O analista destacou que, em algumas regiões dos EUA, o diesel estaria sendo comercializado entre US$ 8 e US$ 10 (R$ 39,90 e R$ 49,90) por galão. Segundo ele, trata-se de um patamar incompatível com a sustentabilidade da economia norte-americana, já que agricultura, indústria, transporte e outros setores dependem diretamente do combustível para manter suas atividades.
"Os EUA estão recorrendo à Federação da Rússia e [ao presidente russo] Vladimir Putin em busca de ajuda", afirmou Lamesa. Para o analista, esse movimento demonstra que o entendimento entre Casa Branca e Kremlin, assim como entre Trump e Putin, constitui uma questão prática e relevante para os interesses econômicos norte-americanos.
Ao comentar a reação de Kiev ao acordo, Lamesa declarou que as críticas das autoridades ucranianas revelam limitações de sua capacidade de influência sobre o processo.
"E não me surpreenderia nem um pouco se o regime de Vladimir Zelensky, este regime neonazista, tentasse intensificar os ataques à infraestrutura energética russa", reforçou.
Ele acredita que Trump e Putin já discutiram os possíveis impactos de ações desse tipo e afirmou que Washington teria interesse em evitar uma escalada que prejudique seus próprios objetivos econômicos.
Lamesa concluiu dizendo estar confiante de que o presidente russo "defenderá tradicionalmente os interesses do povo russo e de sua pátria e garantirá que este acordo também se mostre extremamente benéfico para a Federação da Rússia economicamente".
Por Sputinik Brasil
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