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EUA transmitirão ao vivo fuzilamento de atirador de Fort Hood; 1ª execução pública em 90 anos
A execução de Nidal Malik Hasan será realizada em 3 de dezembro.
O Pentágono informou nesta quinta-feira, 8, que a execução por fuzilamento de Nidal Malik Hasan, autor do tiroteio em Fort Hood, será transmitida ao vivo, após o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmar que a execução seria "pública" para a população dos Estados Unidos.
Hegseth, em entrevista à emissora conservadora Real Americas Voice News na quarta-feira, 7, disse que a execução de Hasan ocorrerá em Fort Hood no dia 3 de dezembro. Hasan era psiquiatra do exército americano e foi condenado por matar 13 pessoas e ferir outras 32 em um tiroteio na base militar em 2009.
"Vamos garantir que as pessoas possam assistir, que seja pública", disse Hegseth.
O secretário explicou que as Forças Armadas não executam um militar desde a Segunda Guerra Mundial. A última execução militar ocorreu em 13 de abril de 1961, quando o soldado do Exército John Bennett foi executado por enforcamento.
A última execução pública nos EUA foi em 1936, no estado do Kentucky, quando Rainey Bethea foi enforcado em frente a uma multidão por ter estuprado e matado uma mulher de 70 anos.
Hegseth falou com a emissora a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, durante uma visita à tripulação que apoiou a guerra contra o Irã, antes de sua chegada ao porto de origem em San Diego.
Quando questionado se Hasan havia feito algum pedido final ou entrado em contato com o governo Trump, Hegseth simplesmente respondeu: "Não me importo. Vamos vê-lo no dia 3 de dezembro."
Autoridades do Pentágono esclareceram nesta quinta que a execução será transmitida ao vivo e que mais detalhes serão divulgados posteriormente.
O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou na segunda-feira, 5, que o presidente Donald Trump aprovou a execução de Hasan.
Trump já havia criticado anteriormente as execuções públicas no Irã, utilizando a possibilidade de manifestantes serem mortos pelo governo iraniano como justificativa para uma ação militar. Essas advertências antecederam sua decisão final de atacar o Irã no final de fevereiro.
"Fomos informados de que as execuções no Irã estão cessando", disse Trump a repórteres em 14 de janeiro deste ano. "Estão cessando e não há planos para execuções."
Ele reiterou essa afirmação em 20 de janeiro, em uma coletiva de imprensa na Casa Branca, afirmando: "Deixamos claro para eles que, se isso acontecer, será um dia muito ruim para eles. E eles decidiram não fazer isso. Não enforcaram as pessoas."
Pouco mais de um mês depois, em seu discurso sobre o Estado da União, Trump disse: "Impedimos que eles enforcassem muitos deles com a ameaça de violência grave."
Nesta quinta, a Casa Branca encaminhou imediatamente ao Pentágono as perguntas sobre os planos para a execução transmitida ao vivo.
No entanto, especialistas em direito militar afirmaram que Hasan poderia optar por resistir à execução e entrar com um pedido de habeas corpus em um tribunal civil, o que poderia atrasar significativamente a execução.
"Francamente, isso pode se prolongar além do mandato do atual governo, e quem sabe se o próximo terá a mesma propensão para execuções", disse Eugene R. Fidell, professor da Faculdade de Direito de Yale, especializado em direito militar.
Quem é Hasan, autor do ataque mortal
Hasan, um psiquiatra do Exército que detinha o posto de major, entrou em um prédio médico onde soldados aguardavam em longas filas para receber vacinas e autorização médica para o envio em missão. Ele gritou "Allahu akbar" - que em árabe significa "Deus é grande!" - e abriu fogo com uma pistola com mira a laser.
Durante o julgamento, foi revelado que Hasan passou semanas planejando o ataque mortal, e sua preparação incluiu gravar em vídeo um vendedor mostrando-lhe como trocar o carregador da pistola que ele havia comprado. Mais tarde, ele foi a um campo de tiro nos arredores de Austin e pediu orientações a um instrutor sobre como recarregar com rapidez e precisão.
Soldados testemunharam que a rapidez com que Hasan recarregava a arma tornou praticamente impossível interromper o tiroteio. Os investigadores recuperaram 146 cartuchos vazios dentro do prédio e dezenas mais do lado de fora, onde Hasan atirou nas costas dos soldados que fugiam em direção ao estacionamento.
Hasan afirmou que sua ação visava impedir que os soldados fossem para o Afeganistão e matassem seus irmãos muçulmanos. Um juiz militar o impediu de apresentar esse argumento como defesa durante o julgamento.
O médico quase não fez esforços para se defender no tribunal; ao atuar como seu próprio advogado, ele disse aos jurados que as provas demonstrariam que ele era o atirador e se descreveu como um soldado que havia "mudado de lado".
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