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Candidata do PSTU ao Senado critica Legislativo e STF por interesses próprios

Eliane Ferreira defende fim da escala 6x1 e propõe mudanças estruturais

Sputnik Brasil 30/09/2026
Candidata do PSTU ao Senado critica Legislativo e STF por interesses próprios
Eliane Ferreira critica Legislativo e STF em campanha ao Senado por São Paulo - Foto: © Sputnik / Sputnik Brasil / Guilherme Correia

Candidata ao Senado por São Paulo, a advogada trabalhista Eliane Ferreira (PSTU-SP), em entrevista exclusiva ao Sputnik Brasil, afirmou que a pauta prioritária de sua campanha é o fim da escala 6x1, cuja sobrecarga atinge, sobretudo, mulheres e jovens.

Esta é a segunda vez que a candidata concorre à vaga no Senado. Segundo ela, a luta deve ser "permanente" e realizada em conjunto com sindicatos e movimentos populares que clamam por uma "senadora mulher". Porém, Eliane ressalta que não basta ser mulher para representar as mulheres do país:

"Precisamos ter um programa que esteja a serviço das mulheres", define.

Referindo-se às candidatas ao mesmo cargo, Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede), a candidata afirmou que ambas "têm interesses próprios", citando ligações com bancos, financiamento de campanha e agronegócio.

A Sputnik Brasil solicitou entrevistas com todos os candidatos ao Senado pelo estado de São Paulo e, nessa reta final de campanha antes do primeiro turno, realiza uma série de publicações com cada um dos postulantes às duas vagas em disputa nesta eleição.

Ferreira também criticou a existência da câmara alta, considerando o bicameralismo um "desserviço" à sociedade, já que cada estado tem dois representantes no Senado, independentemente da população.

"O Senado Federal virou um balcão de negócios, onde pautas secretíssimas, emendas que nós não conhecemos, desviam bilhões dos cofres públicos e nós não sabemos para onde vai esse dinheiro."

Ao defender a proposta de acabar com o Senado e direcionar a verba ao Congresso, com "conselhos populares" definindo as leis, a candidata expressou ceticismo acerca da capacidade do parlamento em resolver os problemas do país, afirmando que a mudança virá da organização da classe trabalhadora nas comunidades e bairros.

Principais propostas

Eliane também defende o reconhecimento da Lei 15.326, do movimento Somos Todas Professoras, que ela representa. A norma qualificaria como professoras as profissionais da primeira infância que atuam em creches municipais, prevendo valorização na carreira, piso inicial de R$ 5.160 e um terço da jornada para formação.

Segundo ela, essa pauta abrange 800 mil mulheres. A candidata ainda apoia o PL 2531, que garantiria a trabalhadores não docentes, como merendeiras, porteiros e funcionários administrativos, 70% do piso nacional do magistério.

No que tange ao feminicídio, a candidata destacou que quatro mulheres perdem a vida a cada dia no país e que a Lei Maria da Penha já não atende mais às necessidades atuais, com medidas protetivas muitas vezes "engavetadas".

"Estamos em 2026, mas ainda enfrentamos resquícios do patriarcado. Hoje, o feminicídio é realizado com requintes de crueldade. Estão arrancando nossas pernas, nossos braços e, quando não podem nos matar, estão matando nossos filhos."

Ela propôs casas-abrigo com endereços não divulgados, afastamento do trabalho com emprego garantido, acompanhamento psicológico, social e médico, além de amparo aos filhos. Eliane defende também educação e prevenção nas escolas, assim como diálogo com os homens, reafirmando que "não queremos os homens presos".

A advogada sustentou ainda a necessidade de mudar a composição e a forma de indicação do Supremo Tribunal Federal (STF), buscando um processo democrático que envolva a participação dos trabalhadores. Ela acusou o tribunal de ter jogado "no lixo" ações como a revisão da vida toda do INSS, do FGTS e da poupança, comentando que o poder tornou-se um "balcão" de troca de acusações, com evidências de que alguns integrantes são coniventes com o caso do Banco Master na tentativa de encobrimento.

"Para quem está a serviço o Supremo Tribunal Federal? É da classe trabalhadora ou dos interesses dos bilionários?"

Sobre o impeachment de ministros, a candidata afirmou que a decisão deve caber ao órgão competente e que o afastamento individual não resolve, uma vez que outros ministros afastados podem voltar ao cenário.

Outros temas

Eliane também comentou que a cláusula de barreira, que impede partidos que não obtiveram um mínimo de votos de ocupar cadeiras, é uma tentativa de "invisibilizar" partidos pequenos e representa uma "democracia dos ricos", proporcionando mais tempo de TV e financiamento a quem já está no poder.

<pQuanto ao fim da contribuição sindical obrigatória, em 2017, ela declarou que o PSTU não foi afetado, por defender autonomia e autofinanciamento, mas que sindicatos que dependiam dessa contribuição fecharam ou venderam suas sedes.

Eliane compõe a chapa com Weller Gonçalves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, que liderou uma greve de mais de mil dias, resultando na reintegração de mais de 500 trabalhadores na Avibras.


Por Sputnik Brasil