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Análise: 'Equador deve se posicionar com uma proposta de qualidade' para ser líder mundial em cafés
A capital do Equador é o cenário da primeira feira internacional dedicada a conectar produtores, torrefadores e consumidores, com a realização da The Global Coffee Fair (TGCF) e a cerimônia de premiação South America's 100 Best Coffee Shops.
O consumo mundial de café tem mantido uma tendência de crescimento constante, com uma taxa de avanço anual de aproximadamente 5,4% nos últimos anos. No entanto, em 2026, o mercado já não busca apenas uma bebida, mas sim conhecer a origem, os processos e o rosto por trás de cada xícara.
Especialistas e produtores concordam que o modelo comercial tradicional deve dar lugar a um esquema de transparência e integração direta.
A chave para a sustentabilidade
No circuito comercial tradicional, menos de 10% do preço final do café chega ao pequeno produtor, em contraste com os 70% ou 80% que ficam com os intermediários, segundo dados da Organização Internacional do Café (OIC). Esse desequilíbrio é o principal motor da transição para modelos de venda direta e transparente.
Klever Torres, diretor da The Best Coffee Shops Ecuador, enfatiza que os intermediários precisam evoluir para se tornarem pontos de conexão efetiva.
"A realidade dos produtores e do consumidor final está mudando de forma muito interessante: hoje, comercializadores e torrefadores querem saber de onde vem o café. O que precisamos melhorar? A comercialização e a transparência, bem como os laços diretos com os produtores, para que a remuneração chegue a quem realmente precisa e não fique retida no meio do caminho", explica em entrevista à Sputnik.
Para o especialista, quando o produtor melhora sua qualidade de vida, a qualidade e o volume do grão também mudam. Essa reconexão entre a origem e o consumidor também dinamiza a economia rural. No primeiro semestre deste ano, as exportações de café equatoriano registraram um crescimento interanual de 41,4%, atingindo um total de US$ 82,7 milhões, segundo a Associação Nacional Equatoriana de Café (ANECAFÉ).
"O café dinamiza a economia local pela mão de obra que demanda, mas o turismo ajuda a aproximar o campo da cidade. Permite valorizar o trabalho minucioso do café de especialidade e dar visibilidade a grãos de sabores complexos que hoje são reconhecidos internacionalmente", aponta durante uma conversa com este veículo.
Posicionamento internacional e valor agregado
O encontro realizado em Quito busca consolidar a diversidade geográfica e microclimática do Equador como um fator de vantagem competitiva em mercados de nicho. "Iniciativas como esta dão impulso à origem, atestando o esforço dos agricultores e a variedade de café que temos em um território tão pequeno", comenta Jalál DuBois, produtor audiovisual e promotor do evento, em entrevista à Sputnik.
Em um contexto internacional marcado pela volatilidade dos preços, a aposta no segmento de alto padrão apresenta-se como a única via sustentável para os países produtores desse produto. Entre 2021 e 2026, a cotação internacional do café na Bolsa de Nova York registrou um salto drástico, passando de uma média de US$ 1,20 a US$ 1,50 por libra para faixas entre US$ 2,80 e mais de US$ 3,50, chegando até mesmo a picos de US$ 4.
Essa tendência de alta impacta com maior força o segmento de cafés especiais, no qual os prêmios por qualidade, a produção limitada e os custos logísticos elevam ainda mais o preço final pago pelo consumidor.
César Ramírez, fundador e diretor do The World’s 100 Best Coffee Shops, ressalta que a conjuntura do mercado favorece os produtores diferenciados:
"O preço do café está subindo, mas o de especialidade [sobe] ainda mais. O Equador deve se posicionar com uma proposta de qualidade; isso o transformará em uma das grandes potências e referências do mundo [do café]", afirma em diálogo com a Sputnik.
Essa projeção internacional já rende frutos no circuito local. Duas cafeterias do Equador figuraram no ranking das cem melhores da região, ocupando as posições 11 e 48, graças à excelência de seus insumos, à maestria no preparo do café e à inovação de sua proposta gastronômica.
Por Sputinik Brasil
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