Geral
Dólar recua 0,36% após cinco pregões de alta, mas permanece acima de R$ 5,20
Moeda encerra dia cotada a R$ 5,2012, com influências do mercado externo e ajustes eleitorais.
Após subir em todas as sessões da semana passada, acumulando uma valorização de 2,68% e alcançando o maior nível de fechamento desde 30 de março, o dólar recuou no mercado local nesta segunda-feira, 17. Operadores avaliam que o ambiente externo favorável às divisas emergentes abriu espaço para a recuperação técnica do real, que exibiu um dos melhores desempenhos entre as moedas mais líquidas.
Pela manhã, o dólar chegou a se aproximar do piso de R$ 5,18, atingindo a mínima de R$ 5,1813, mas reduziu o ritmo de baixa ao longo da tarde, alinhando-se ao comportamento do exterior, com a escalada das taxas dos Treasuries na esteira dos ganhos do petróleo.
O contrato do Brent para outubro superou US$ 90 o barril, com alta de 2,65%, em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. O aumento da aversão ao risco se sobrepõe, na formação da taxa de câmbio, a uma eventual melhora dos termos de troca do País com a valorização da commodity.
Depois de oscilar ao redor de R$ 5,20 nas duas últimas horas de negócios, o dólar à vista terminou o dia em baixa de 0,36%, cotado a R$ 5,2012. A moeda acumula alta de 2,58% frente ao real em agosto, após uma desvalorização de 1,79% em julho. No ano, as perdas chegam a 5,24%.
Para o gestor de portfólio da Azimut Brasil, Marcelo Bacelar, houve um ajuste no posicionamento do investidor estrangeiro em relação ao Brasil, em decorrência da aproximação da eleição presidencial, o que acabou pressionando tanto a bolsa quanto elevando o dólar.
"A perspectiva para a moeda dependerá muito se o Banco Central continuará cortando os juros. Acredito que ele siga cortando até o fim do ano", afirma o gestor, ressaltando que dados recentes mostram perda de fôlego da atividade e da inflação. "Nos EUA, eu considero que o Federal Reserve não subirá os juros neste ano, mas, se o fizer, será negativo para o real."
Divulgado pela manhã, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,64% em junho em comparação a maio, na série ajustada sazonalmente, abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast (0,50%). Economistas ouvidos pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) afirmam que os números reforçam a percepção de arrefecimento da atividade.
No campo eleitoral, Bacelar acredita que o real enfrentará dias mais difíceis, independente do desfecho da corrida presidencial. A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva indica obstáculos no campo fiscal, o que pode pressionar o câmbio. Por outro lado, um eventual ajuste fiscal mais robusto em caso de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) poderia abrir mais espaço para a redução da Selic, o que também diminuiria a atratividade do real.
"Com a vitória da oposição, teremos uma estrutura que o Paulo Guedes tentou montar, com uma política fiscal mais rigorosa e monetária mais flexível, resultando em uma moeda mais depreciada", afirma o gestor da Azimut, em referência ao ex-ministro da Economia do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O dia foi marcado também pela atuação do Banco Central no mercado de câmbio. Além da chamada "ração diária" de rolagem de swaps, com a venda de 50 mil contratos (US$ 2,5 bilhões), o Banco Central vendeu a oferta integral de US$ 1 bilhão em linha (venda de dólares com compromisso de recompra) para rolagem do vencimento de 2 de setembro.
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operava na casa dos 99,500 pontos por volta das 17h, registrando uma baixa de 0,08%, após atingir mínima de 99,294 pela manhã. O Dollar Index recua cerca de 0,20% em agosto, mas ainda apresenta alta superior a 1,30% no ano.
Após a recente safra de indicadores de atividade e inflação nos EUA, a perspectiva é de manutenção da taxa básica americana em setembro, que passou a ser a opinião majoritária. A expectativa é de que a ata do encontro de política monetária do Federal Reserve no fim de julho, a ser divulgada na quarta-feira, 19, confirme a divisão dentro do BC americano sobre a necessidade de uma alta de juros ainda neste ano.
O economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, observa que recentemente os defensores de aumentos de juros ganharam força no Fed, com três dirigentes votando a favor de um aumento em julho. "No entanto, diante de dados mais fracos sobre emprego e inflação, é difícil imaginar que os membros mais moderados mudem sua posição a favor de uma alta de juros", afirma Hatzius, em relatório.
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