Geral
Casa do Autista de Maceió amplia cuidado com acompanhamento psiquiátrico integrado às terapias
Psiquiatria integra cuidado multiprofissional e acompanha de forma individualizada as necessidades de crianças, adolescentes e respectivas famílias
Na Casa do Autista de Maceió, o cuidado com crianças e adolescentes com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) vai além das terapias realizadas no dia a dia. O acompanhamento psiquiátrico integra a estratégia de atendimento da unidade e contribui para que cada paciente tenha suas necessidades avaliadas de forma individualizada, considerando não apenas aspectos relacionados à saúde, mas também a rotina, o desenvolvimento e o contexto familiar.
De acordo com a médica psiquiatra Natália Omena , o atendimento começa com uma triagem realizada por equipe multiprofissional. A partir desta avaliação, os pacientes passam pelo acompanhamento de diferentes profissionais e também são avaliados pela psiquiatria. "Essa consulta funciona, basicamente, para a gente ver as necessidades do paciente. Então, é uma criança que vai precisar de medicação ou não, é uma criança que as terapias que ela está fazendo estão funcionando, se o tratamento já está correto. Tudo isso a gente vai avaliar na consulta", explica.
A consulta psiquiátrica também representa um momento de escuta e orientação para os responsáveis. De acordo com a médica, os pais podem apresentar dúvidas, receber orientações profissionais e, quando necessário, ser orientados para atendimento psicológico. Esse olhar para a família é considerado parte importante do processo de cuidado, já que compreender a realidade vivenciada em casa ajuda a equipe a acompanhar de maneira mais ampla as necessidades da criança ou do adolescente.
O acompanhamento também não termina após a primeira consulta. Nos casos em que há necessidade de tratamento medicamentoso, por exemplo, os retornos permitem avaliar a resposta do paciente e realizar as configurações necessárias. A equipe também observa se a quantidade de terapias é adequada, se elas estão bem distribuídas na rotina e se existe a necessidade de incluir outras abordagens que possam contribuir para o desenvolvimento.
"Com o decorrer das consultas, a gente consegue melhorar esse tratamento, verificar se as terapias estão em quantidade adequada, se estão bem distribuídas na rotina do paciente e se dá para incrementar alguma terapia para melhorar ainda mais o desenvolvimento. E a gente consegue também acolher a família", pontua Natália.
Para Camila Porciúncula , diretora-presidente da Maceió Saúde, a presença da psiquiatria dentro de uma estrutura multiprofissional reforça a proposta de oferecer um atendimento integrado e centrado nas necessidades de cada usuário. “A psiquiatria não atua de forma isolada. Ela faz parte de uma rede de cuidados em que os profissionais reúnem informações e olhares diferentes sobre a criança ou o adolescente. Esse trabalho integrado permite acompanhar a evolução de cada usuário com mais atenção e buscar, sempre que necessário, os ajustes que favorecem o desenvolvimento e a qualidade de vida”, frisa.
A gerente-geral da Casa do Autista, Fabiana Lisboa , destaca que o acompanhamento das famílias é outro diferencial da assistência prestada pela unidade. "Quando uma família chega à Casa do Autista, ela também precisa ser acolhida e orientada. Muitas vezes, os responsáveis têm dúvidas sobre comportamentos, terapias, medicamentos e sobre como organizar uma rotina. Ter profissionais de diferentes áreas trabalhando de forma articulada nos permite olhar para essas necessidades e construir um cuidado mais completo", ressalta.
Com uma equipe multiprofissional formada por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos, a Casa do Autista amplia o olhar sobre o cuidado. A Casa do Autista é administrada pela Maceió Saúde, organização social sem fins lucrativos voltada à modernização e à eficiência na gestão das unidades municipais de saúde. A instituição atua com foco em boas práticas de governança e na qualidade da assistência prestada à população de Maceió, implantando processos que buscam integrar inovação, cuidado e gestão eficiente.
Veja como ter acesso
Para ter acesso aos serviços da Casa do Autista, o primeiro passo é reunir a documentação necessária e levá-la ao Setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, localizado na Avenida Fernandes Lima, 2335, no bairro Farol. No local, está aberto o processo para análise. Entre os documentos exigidos estão RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência e encaminhamento médico da criança ou adolescente, além dos documentos do responsável legal.
Depois desta etapa, a equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria Municipal de Saúde realiza a análise e a regulação dos casos. São priorizadas pessoas que ainda não estão inseridas na rede pública de saúde, como os Centros Especializados em Reabilitação (CER) ou serviços contratualizados, e que se encontram em fila de espera na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência.
Após a avaliação, os pacientes são encaminhados gradualmente para os serviços disponíveis, entre eles na própria Casa do Autista. Quando a procura ultrapassa a capacidade de atendimento, os solicitantes permanecem em fila de espera, seguindo critérios técnicos e de prioridade.
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