Geral
Ibovespa recua por incertezas domésticas e aprofunda perdas em agosto
Setor petrolífero não é suficiente para reverter quedas do índice.
O Ibovespa, que abriu o pregão desta segunda-feira, 17, em alta, puxado pelo avanço de ações do setor petrolífero, perdeu fôlego e passou a cair. Apesar de haver espaço técnico para recuperação - visto que acumula queda de mais de 6% em agosto - os investidores continuam ajustando suas expectativas diante do aumento das incertezas sobre o resultado das eleições e o grau esperado de ajuste fiscal em 2027, além do cenário para juros.
"O mercado brasileiro está numa posição delicada. Começou o ano muito bem, mas não por fatores locais. Um dos vetores que motivaram os estrangeiros a entrar era o orçamento de corte de juros. O IBC-Br indica que há espaço para mais um corte da Selic, mas o orçamento é muito menor do que se esperava", afirmou Matheus Spiess, analista da Empiricus, sobre o indicador do Banco Central.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado mais cedo, registrou queda de 0,64% em junho em relação a maio, na série com ajuste sazonal. A diminuição foi mais intensa do que a retração prevista pela mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de 0,50%. As estimativas do mercado variavam de baixa de 1,20% a alta de 0,40%.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou em um evento ocorrido mais cedo que o Brasil precisa de "juros civilizados" e que um dos caminhos para isso é enfrentar a questão fiscal. "Se a gente pegar todas as Leis de Diretrizes Orçamentárias desde 2023, temos projetado um caminho para o superávit fiscal, desde sempre", afirmou Durigan. No entanto, seus comentários não tiveram efeito positivo sobre o mercado.
Por volta das 12 horas, o Ibovespa caía 0,22%, alcançando 166.566 pontos. A Ultrapar era a maior influência positiva sobre o índice, com alta de 4,35%, somando 0,09 ponto porcentual à variação do Ibovespa. Por outro lado, o destaque negativo era Itaú Unibanco, que caía 1,56% e subtraía 0,13 ponto do índice.
Na abertura, o índice chegou a operar em alta, impulsionado pelas ações da Petrobras, que acompanhavam o avanço dos preços do petróleo. A valorização da commodity refletia o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã para liberar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz.
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