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Irã diz que retomada de conversas depende dos EUA e que 'está pronto para agir' contra ataques
Autoridades iranianas afirmam que negociações estão atreladas a atitudes dos americanos.
Diversas autoridades iranianas reafirmaram nesta segunda-feira, 17, que a retomada do memorando de entendimento com os EUA e as negociações de paz dependem das atitudes dos americanos, segundo veículos da mídia local. O regime persa também reiterou que está pronto para agir contra eventuais ataques de inimigos, sejam de Washington ou de países vizinhos.
O diretor-geral jurídico do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Abbas Bagherpour, afirmou à ISNA que a violação do memorando de entendimento de Islamabad não significa seu colapso, sendo possível a sua revitalização a depender dos EUA. Segundo ele, os americanos devem abandonar o hábito de violar acordos e o vício em impor sanções unilaterais.
Do contrário, Teerã está pronta para qualquer opção, acrescentou Bagherpour. "Se retomar o memorando não funcionar, já demonstramos diversas vezes que estamos prontos para nos defender. Espero que não testem nossa capacidade e determinação de novo," disse ele à agência iraniana.
O diplomata Mohammad Farazmand, também do Ministério de Relações Exteriores, pontuou que qualquer retorno às negociações estará sujeito novamente ao memorando de Islamabad, e não a acordos posteriores dos EUA com países do Golfo Pérsico, segundo a ISNA. Farazmand lembrou que, pouco depois da assinatura do memorando, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, participou de reuniões e divulgou comunicados conjuntos com países da região que contrariavam o entendimento alcançado com o Irã.
"Os países do Golfo foram os primeiros a colocar pedras no caminho de um entendimento islâmico pacífico e, claro, pagaram o preço por isso," afirmou o diplomata, citando como exemplo a tentativa de abrir rotas de navegação no Estreito de Ormuz através de Omã.
Farazmand defendeu que o Irã tem o direito de usar o estreito como trunfo geopolítico após o que chamou de séculos da rota marítima sendo usada contra o regime persa por outros países, incluindo Portugal, Reino Unido e EUA. "É hora de termos um mecanismo regional justo e ordenado," disse, segundo a ISNA.
O porta-voz do ministério, Esmaeil Baghaei, ponderou em coletiva de imprensa que as negociações sobre Ormuz são complexas e delicadas, por isso demandam uma longa discussão com Omã para garantir a soberania de ambos. Baghaei descartou preocupações com ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, para que um acordo seja anunciado rapidamente. "Não vamos aceitar ser pressionados por um prazo," afirmou, acrescentando que as forças armadas estão prontas para agir, se necessário.
Já o porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, em inglês), Sardar Mohebi, negou à Tasnim que existam negociações secretas com Trump sobre questões de guerra. "Essa mentira é apenas uma fantasia criada por suas ilusões e pesadelos causados pela derrota e desespero na guerra," afirmou.
Mohebi esclareceu que discussões diplomáticas são responsabilidade de outras instâncias do governo iraniano e que cabe à IRGC expressar sua opinião no campo de batalha. De acordo com a Tasnim, o porta-voz ainda acusou Trump de tentar controlar temporariamente o preço global do petróleo e da energia. "Mas ele só tem um caminho a seguir: aceitar a derrota e implementar as condições impostas pelo Irã para evitar danos maiores ao seu país," frisou ele.
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