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Hamas aceita roteiro para segunda fase do plano Trump sobre Gaza

Movimento propõe cessar-fogo e auxílio humanitário enquanto EUA discutem desarmamento.

Sputnik Brasil 16/08/2026
Hamas aceita roteiro para segunda fase do plano Trump sobre Gaza
Hamas propõe novas etapas em negociação sobre Gaza, visando cessar-fogo e ajuda humanitária. - Foto: © AP Photo / Jehad Alshrafi

Movimento defende cessar-fogo permanente e retirada de tropas israelenses, enquanto enviado dos EUA discute desarmamento do grupo com mediadores no Egito.

O Hamas anunciou neste domingo (16) disposição para avançar na segunda fase do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a Faixa de Gaza. A decisão foi comunicada após uma reunião no Egito com mediadores e garantidores do acordo de cessar-fogo.

O movimento afirmou que a nova etapa deve levar a um cessar-fogo permanente, à retirada completa das tropas israelenses de Gaza, à ampliação urgente da ajuda humanitária e ao início da reconstrução do território. O grupo também defendeu o início dos trabalhos de uma comissão administrativa palestina e o cumprimento das obrigações ainda pendentes do acordo.

O Hamas pediu que os mediadores e o chamado Conselho da Paz pressionem Israel a cumprir os compromissos assumidos na primeira fase, interromper violações, ataques e incursões e estabelecer um cronograma para a implementação da segunda etapa.

As discussões ocorreram no mesmo dia em que Jared Kushner, enviado de Trump para o Oriente Médio e genro do presidente americano, manteve conversas no Egito com uma delegação do Hamas liderada por Khalil al-Hayya. Representantes do Egito, Catar e Turquia também participaram das negociações, segundo relatos da imprensa internacional.

Um dos principais pontos discutidos é o desarmamento do Hamas. O plano de Trump prevê que o grupo entregue suas armas enquanto as forças israelenses se retiram de Gaza e o território passa a ser administrado por uma nova estrutura civil palestina.

Israel, porém, rejeitou a proposta apresentada por Trump e afirmou que não retirará suas tropas até que o Hamas seja completamente desarmado. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu classificou o documento como inaceitável e defendeu que o desarmamento seja uma condição prévia para a implementação do acordo.

Kushner também deve se reunir nesta segunda-feira (17) com Netanyahu, ao lado do enviado do Conselho da Paz, Nickolay Mladenov, e do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, em uma tentativa de reduzir as divergências sobre o plano.

Apesar do cessar-fogo iniciado em outubro de 2025, ataques israelenses continuam sendo registrados na Faixa de Gaza. Neste domingo, uma ofensiva atingiu um acampamento de tendas em Khan Younis, deixando ao menos cinco palestinos feridos, segundo equipes médicas. Outro ataque atingiu um apartamento no campo de refugiados de Nuseirat, no centro do território.

Em comunicado conjunto, Egito, Emirados Árabes Unidos, Catar, Arábia Saudita, Jordânia, Turquia, Paquistão e Indonésia criticaram a rejeição israelense ao plano de Trump e afirmaram que a decisão ameaça os esforços para consolidar a paz em Gaza.