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No mercado de juros, DIs médios e longos descolam de NY e sobem com risco fiscal no radar
Aumento das taxas de juros se dá em meio a preocupações fiscais e tensões diplomáticas.
Os juros futuros médios e longos voltaram a subir no período da tarde desta quinta-feira, 13, com investidores pedindo maior endereçamento fiscal, após o PLP dos Combustíveis aprovado na quarta pelo Congresso não acalmar as preocupações. Além disso, a disputa pelo Palácio do Planalto continua acirrada. Alguns operadores também consideram que a acusação dos Estados Unidos de que o Brasil e outros 40 países ajudam a China a burlar tarifas de importação pode vir acompanhada de um novo estremecimento da relação diplomática entre Lula e Trump.
A ponta curta dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), contudo, seguiu perto do ajuste da véspera. Embora as vendas no varejo tenham resultado acima do esperado em junho (alta de 0,5% no conceito restrito, acima da mediana de 0,2% do Projeções Broadcast), este dado reforça a visão de que a atividade econômica vem desacelerando e pode abrir espaço para novos cortes da taxa Selic - com a curva ainda precificando maior chance de redução de 0,25 ponto porcentual na reunião de setembro.
O DI para janeiro de 2027 fechou com taxa de 13,75%, ante 13,749% no ajuste de quarta-feira. O DI para janeiro de 2029 subiu para 14,245%, de 14,223%, enquanto a taxa do contrato para janeiro de 2031 avançou a 14,53%, contra 14,45% no ajuste anterior.
Para o gestor de portfólio da Azimut Brasil, Marcelo Bacelar, o mercado embute prêmio de risco fiscal nos vértices mais longos. Ele considera o PLP dos Combustíveis, aprovado na quarta no Congresso, como neutro e ressalta que "o governo vem tentando acenar para o mercado que haverá algum tipo de ajuste, mas precisa de atitudes mais concretas."
A Warren observa que o PLP traz efeitos fiscais em duas direções: enquanto amplia incentivos ao setor de fertilizantes e combustíveis e autoriza antecipações de gastos, também incorpora mecanismos que podem conter o crescimento de despesas no ano seguinte.
Para o economista-chefe do banco BMG, Flávio Serrano, o fiscal continua no radar, mas o medo de uma possível retaliação adicional por parte dos Estados Unidos também entra na equação do mercado de renda fixa.
Isso porque a curva a termo caía pela manhã junto com os juros dos Treasuries, mas os vértices intermediários passaram a zerar queda após os EUA incluírem o Brasil no grupo de "Nível 2 - Integração Econômica Significativa" com a China, acusando o país de atuar como uma importante plataforma regional de produção e logística ao simular a transformação de produtos em diversas categorias para alterar sua origem declarada.
O head de renda fixa da Suno Research, Guilherme Almeida, analisa que o novo relatório do governo Trump abre caminho para maior fiscalização e impacto na relação comercial com o Brasil. "O próprio incremento de incerteza já traz uma leitura de risco ao mercado, prevalecendo um processo de abertura da curva", acrescenta.
Pela manhã, os DIs seguiam o desenho da curva dos Treasuries e cediam por todos os vértices, após o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos EUA afastar expectativas de aumento de juros pelo Fed e com a queda de 2% do barril de petróleo. Contudo, um leilão de T-Bonds de 30 anos com a maior taxa de rentabilidade desde 2001 limitou as perdas.
Por aqui, o Tesouro vendeu 16,11 milhões de Letras de Tesouro Nacional (LTN), de 16,15 milhões ofertadas, e todas as 2 milhões de Notas do Tesouro Nacional - Série F (NTN-F) anunciadas em leilão. Para Almeida, da Suno, o leilão não gerou grande impacto na precificação da curva.
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