Geral
Ministro de Lula afirma que conflito no Oriente Médio afeta turismo no Brasil
Gustavo Feliciano destaca desafios e recordes do setor turístico
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, afirmou que o país vive um "extraordinário momento do turismo", com recordes. No entanto, segundo ele, o principal desafio para sustentar esse ritmo é o conflito no Oriente Médio, que tem elevado os preços dos combustíveis no mercado internacional.
"Enfrentamos uma dificuldade grande, que é o conflito no Oriente Médio, que impacta diretamente os preços praticados no combustível e traz alguns problemas. E, mesmo assim, estamos conseguindo manter esses recordes."
Para o ministro, o cenário poderia ser ainda mais favorável ao Brasil sem a guerra. "Se não tivesse esse conflito, nós poderíamos estar melhorando", afirmou.
A escalada militar entre Israel, Estados Unidos e Irã, intensificada em março de 2026, elevou o preço do petróleo Brent de uma faixa próxima a US$ 60 (cerca de R$ 312) para acima de US$ 100 (cerca de R$ 520) o barril, chegando a superar os US$ 120 (cerca de R$ 624) em alguns momentos, segundo dados de mercado.
O aumento afetou o tráfego de navios pelo estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, e pressionou custos de combustíveis em diversos países, incluindo o Brasil.
Mesmo diante desse cenário externo, o ministro citou uma série de recordes do setor turístico brasileiro neste ano.
"Recorde na atração de turistas estrangeiros, passando no primeiro semestre da marca de 5 milhões de turistas estrangeiros; recorde no movimento de passageiros domésticos na aviação, com mais de 50 milhões de passageiros só no primeiro semestre de 2026 e, também, recorde de gastos estrangeiros no nosso país."
De acordo com um levantamento da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), da Polícia Federal (PF) e do Ministério do Turismo, o Brasil recebeu 5,26 milhões de turistas internacionais entre janeiro e junho de 2026, o segundo melhor resultado da série histórica para o período, com recorde nas chegadas por via aérea, que cresceram 13,3% em relação a 2025.
Para Feliciano, o dado que mais o orgulha, no entanto, é a geração de empregos. "São mais de 2 milhões e 400 mil postos de trabalho com carteira assinada no setor do turismo."
"A gente pode ver o grande empreendedor, o grande hoteleiro ganhando recursos, mas a gente pode ver a oportunidade da camareira que trabalha no hotel, o garçom que está no bar, a dona do açaí que pode dar uma dignidade melhor e transformar a vida da sua família."
Segundo ele, "o que nos move aqui no ministério é, além de ver a grande roda do turismo funcionar, poder ver a transformação das pessoas que podem dar um futuro melhor às suas famílias".
O ministro afirmou que o Brasil registrou o maior crescimento de turistas estrangeiros do mundo entre 2024 e 2025. "Tivemos um crescimento de 37% na atração de turistas estrangeiros no nosso país", disse.
"É um crescimento exponencial, foi o maior registrado no mundo, tendo o segundo lugar o Egito, com 20% de crescimento. Nós quase que dobramos o segundo colocado. Nosso desafio é manter e continuar ampliando."
Feliciano também anunciou uma nova linha de crédito voltada a pequenos e microempreendedores do turismo. O Fundo Geral do Turismo (Fungetur) disponibiliza mais de R$ 1 bilhão em 2026 para o setor, "com uma taxa de juros inigualável no mercado e condição de carência que chega até cinco anos".
Segundo o Ministério do Turismo, entre 2023 e 2026 já foram contratados 6.129 financiamentos pelo Fungetur, somando R$ 2,73 bilhões, dos quais R$ 327,4 milhões só até junho de 2026.
O ministro apontou a dificuldade de acesso ao crédito como um dos principais obstáculos para microempreendedores individuais (MEIs) do setor.
"A grande dificuldade que esses empreendedores têm, quando chegam ao banco, é sempre a garantia, é sempre quem é o avalista."
Para resolver esse entrave, o governo criou o fundo garantidor. "O governo do Brasil está colocando um fundo garantidor para ser o avalista, significando que o Brasil vai ser o avalista desses microempreendedores", afirmou. A concessão do crédito é assistida em parceria com o Sebrae.
Conectividade
Sobre a infraestrutura do setor, o ministro disse que o Brasil está recebendo "investimentos recordes nos portos e, principalmente, nos aeroportos".
Como exemplo, citou o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, com investimento de R$ 2,9 bilhões. Ele mencionou ainda obras em andamento nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos, em São Paulo.
Questionado sobre o futuro na pasta, Feliciano evitou fazer projeções pessoais.
"Espero desempenhar um bom trabalho, que o presidente Lula esteja satisfeito com meu trabalho."
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