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Brasil tem desafio de explorar terras raras sem conhecer o setor, diz diretor do MME
Anderson Arruda destaca necessidade de políticas públicas e estratégia para tornar riquezas potenciais em realidade.
O Brasil enfrenta o desafio de formular políticas públicas para terras raras sem ter o conhecimento necessário à disposição, afirmou o diretor do Departamento de Transformação e Tecnologia Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), Anderson Arruda. "Este conhecimento está na cabeça de poucas cabeças, que não estão disponíveis", afirmou.
O executivo participou do debate O Brasil na Agenda dos Minerais Críticos: Prioridades Estratégicas para Competitividade, Investimentos e Desenvolvimento Sustentável, realizado no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), na zona sul do Rio, nesta semana.
Atualmente, o governo aguarda a aprovação do PL 2780, que visa consolidar a regulação de minerais críticos, ressaltou Arruda, enfatizando que o Brasil não pode mais ser um "mero exportador". "Quando começamos a abordar o assunto, há um ano e meio, as empresas estrangeiras diziam que o Brasil sempre foi fornecedor de minério e nunca teve uma política de agregação de valor", explicou. "Mas hoje temos outra janela. Tempos de reservas significativas, mas com produção baixa. Para transformar esse potencial em riqueza, precisamos de estratégia."
O executivo destacou ainda que, na história recente, a mineração só entrava no Planalto por meio de fatos negativos. "Atualmente, é um ativo estratégico, e precisamos aproveitar a atenção para desenvolver políticas que façam sentido para o País, incorporando o conceito de soberania que o presidente está trazendo e transformando em riqueza para a população."
O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, destacou que, se por um lado é necessário assumir mais riscos na mineração, os projetos devem ser sustentáveis para atrair investimentos. "Mas isso vai depender do resto do mundo não só falar, mas fazer de fato", enfatizou.
Goldfajn também defendeu a importância de se obter financiamento de longo prazo, de 20 a 30 anos, além de uma regulação compatível, e a necessidade de definir prioridades. "Vamos começar com os minérios que podemos avançar e dar o primeiro passo."
Na quinta-feira, 20, o Estadão promoverá o Fórum Minério Verde, em São Paulo. Especialistas e executivos discutirão a mineração em áreas de biodiversidade sensível, a corrida pelos minerais críticos e a automação, além do uso de inteligência artificial no setor. O evento será transmitido pelas redes sociais do Estadão.
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