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Americanas registra prejuízo de R$ 274 milhões no 2º tri de 2026, alta de 179,6% em relação ao ano anterior
Desempenho e desafios da companhia no último trimestre
A Americanas registrou prejuízo de R$ 274 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 179,6% em comparação aos R$ 98 milhões negativos do mesmo período do ano passado. Considerando apenas as operações continuadas, o prejuízo foi de R$ 279 milhões, quase quatro vezes os R$ 70 milhões de um ano antes. O Ebitda ajustado totalizou R$ 145 milhões, com queda anual de 51,5%.
A receita líquida somou R$ 3,3 bilhões entre abril e junho, registrando uma queda de 1,7% em comparação anual, enquanto a receita bruta caiu 1,5%, para R$ 3,9 bilhões. O Ebitda ajustado caiu 51,5%, totalizando R$ 145 milhões.
Parte da piora na comparação trimestral foi atribuída pela companhia à mudança no calendário da Páscoa. Em 2025, a data caiu em 20 de abril, enquanto neste ano foi celebrada em 5 de abril, deslocando vendas significativas para o primeiro trimestre.
O diretor financeiro (CFO), Sebastien Durchon, destacou que esse efeito dificulta a leitura dos dois primeiros trimestres separadamente e levou a empresa a focar na análise do desempenho acumulado do semestre.
No primeiro semestre, as vendas nas mesmas lojas cresceram 9,3%, acelerando em relação ao avanço de 7,8% registrado nos quatro primeiros meses do ano. Segundo o executivo, maios e junho tiveram crescimento superior a 10%, indicando uma aceleração nas vendas.
O presidente da Americanas, Fernando Dias Soares, afirmou que o aumento nas vendas, junto ao controle de custos e despesas, resultou em uma melhora de R$ 251 milhões no Ebitda ajustado (ex-IFRS 16) no semestre.
"O mercado vinha questionando se conseguiríamos continuar melhorando na mesma ordem de grandeza e a resposta é sim", disse Soares. No primeiro semestre de 2025, a melhora havia sido de R$ 238 milhões, totalizando uma evolução acumulada em dois anos de quase R$ 500 milhões.
As despesas gerais, administrativas e com vendas (SG&A) caíram 12,3% no segundo trimestre, para R$ 772 milhões, diminuindo sua proporção em relação à receita líquida de 26,2% para 23,4%. No semestre, a redução das despesas foi de R$ 76 milhões, promovendo uma melhora de 3,3 pontos porcentuais nessa relação.
O resultado financeiro, por sua vez, ficou negativo em R$ 201 milhões no trimestre, em contraste com os R$ 18 milhões negativos do ano anterior.
Em termos de estrutura de capital, Durchon afirmou que não houve mudanças relevantes e destacou que a venda de ativos tem sido uma estratégia adotada para reduzir o endividamento. A companhia concluiu em junho a venda de um ativo por R$ 162 milhões, R$ 9 milhões acima do inicialmente previsto após ajuste de preço.
O CFO ainda ressaltou que a Americanas continua consumindo caixa, embora em ritmo decrescente, e que a companhia melhorou o capital de giro em quase R$ 300 milhões nos últimos 12 meses.
Digital ganha espaço
No digital, a receita cresceu 77,4% no segundo trimestre, alcançando R$ 204 milhões. O O2O (online to offline), em que a compra é realizada online e atendida a partir do estoque das lojas físicas, avançou 92,9%, totalizando R$ 191 milhões. No semestre, o O2O cresceu 74,6%, somando R$ 337 milhões.
"Nos três últimos anos reestruturamos totalmente a companhia. Tínhamos uma operação digital gigantesca, que foi desmontada, e estamos remontando essa operação de forma diferente, para que o digital se torne rentável", disse Durchon.
No semestre, o novo digital representou cerca de 5% das vendas. Durante a Copa do Mundo, cerca de 30% das vendas de figurinhas vieram do O2O. A companhia já conta com cerca de 200 lojas que têm caixas exclusivos para retirada de pedidos feitos online.
No canal físico, a receita caiu 6,8% no segundo trimestre, impactada também pela mudança de calendário da Páscoa e pela diminuição da base de lojas. No semestre, no entanto, houve aumento de 3,2%. A receita bruta por metro quadrado cresceu 10,3% no período, um resultado que a companhia associa ao fechamento, realocação e readequação de pontos de venda.
A Copa do Mundo teve efeitos diversos sobre a operação. Segundo Soares, houve redução do fluxo e o fechamento antecipado de algumas lojas em dias de jogos, especialmente nos shopping centers.
O impacto negativo foi mitigado pelo aumento das vendas em categorias relacionadas ao evento. No segundo trimestre, as vendas nas mesmas lojas de biscoitos e salgadinhos cresceram 13%, enquanto as de bebidas avançaram 29%. A companhia ainda comercializou mais de 12 milhões de pacotes de figurinhas. "Do ponto de vista de vendas, o saldo é muito mais positivo do que negativo", afirmou o executivo.
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