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Ideb: Brasil avança no ensino fundamental e médio, mas não atinge a maioria das metas de 2021

Resultados do Ideb 2025 são divulgados pelo MEC

Estadao Conteudo 05/08/2026
Ideb: Brasil avança no ensino fundamental e médio, mas não atinge a maioria das metas de 2021
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Brasil avançou em todas as etapas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o principal indicador para medir a qualidade do ensino brasileiro. No entanto, o país não conseguiu atingir as metas que deveriam ter sido alcançadas pelos anos finais do ensino fundamental (5º ao 9º ano) e do ensino médio, ainda em 2021.

Os dados do Ideb 2025 foram anunciados nesta quarta-feira, 5, pelo Ministério da Educação (MEC). O Ideb é divulgado a cada dois anos e considera a nota obtida pelos estudantes nas avaliações de Português e Matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), além do fluxo escolar, que abrange informações sobre aprovação e reprovação. As notas do Ideb variam de 0 a 10.

Ao longo do ciclo de 2007 a 2021, o Ideb estabeleceu metas para todas as etapas da educação. Contudo, tanto a gestão de Jair Bolsonaro quanto a de Luiz Inácio Lula da Silva não definiram novas metas para o índice. Assim, as metas de referência continuam sendo as de 2021. O MEC informou que em outubro definirá os parâmetros para estabelecer novas metas para o Ideb.

Nas últimas décadas, o Brasil ampliou o acesso à educação, mas avança lentamente na melhora da aprendizagem, considerado o principal desafio para preparar crianças e adolescentes para o mercado de trabalho. Especialistas destacam que as avaliações são fundamentais para medir o êxito das políticas públicas e replicar iniciativas bem-sucedidas.

Os anos iniciais do ensino fundamental concentraram o melhor desempenho do país no indicador, com o Ideb registrando 6,3 em 2025, uma alta em relação à nota 6 obtida em 2023. Na divulgação anterior, essa etapa havia alcançado a meta fixada para 2021 (6 pontos).

É a única etapa da educação básica a atingir a meta e onde os alunos demonstram nível adequado de aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática.

Nos anos finais do ensino fundamental, mesmo com o avanço da nota, o país ainda não alcançou os 5,5 pontos previstos para 2021, obtendo 5,3 no Ideb de 2025, acima dos 5 pontos registrados em 2023.

Nos últimos anos, o Brasil tem priorizado políticas voltadas para o ensino médio, incluindo a ampliação do tempo integral e a reforma do currículo, que propôs uma maior integração com a educação técnica.

Também foi criado o programa Pé-de-Meia, que oferece auxílio financeiro para que os jovens permaneçam na escola. A evasão escolar é um problema histórico do ensino médio, com abandonos relacionados a emprego, gravidez, entre outros fatores.

Apesar desses investimentos, o último ciclo do ensino básico ainda é a etapa mais distante da meta de 5,2, estabelecida em 2021. No ano passado, o Brasil alcançou nota 4,5, um pouco acima dos 4,3 registrados em 2023.

O ministro Leonardo Barchini declarou que, apesar de não alcançar as metas, está tranquilo com o progresso, ressaltando que mudar o sistema educacional é um processo desafiador. "Quando temos que trabalhar no fluxo e no acesso ao mesmo tempo que aprimoramos a proficiência, é natural que surjam dificuldades", afirmou.

Ele também disse que o Brasil avançou mais rapidamente do que o esperado, considerando o impacto da pandemia na Educação. "Conseguimos, em quatro anos, realizar o que estava previsto para ocorrer em dez anos.".

Sobre o ensino médio, representantes do MEC afirmam que os efeitos das políticas implementadas pelo governo federal ainda não foram refletidos nesta edição do Ideb, mas devem aparecer na próxima avaliação.

O ministro destacou que, em 1988, apenas 7% dos estudantes até 19 anos concluíam o ensino médio, enquanto hoje esse número é de 80%. "O Brasil está aprendendo a fazer o ensino médio agora", afirmou.

Embora o país não tenha batido as metas de 2021, Barchini garantiu que o MEC irá traçar objetivos ambiciosos para o Ideb e elogiou estados que se destacaram na avaliação, independentemente de sua orientação política.

As escolas privadas apresentaram um desempenho distinto, retrocedendo no Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental. Enquanto em 2023, essa rede registrou Ideb 7,2, na última edição o número caiu para 7,1.

No 9º ano, após a estagnação na última edição, o Ideb subiu de 6,3 para 6,4, alcançando assim o mesmo índice verificado pela rede em 2019, antes da pandemia.

O ensino médio teve o maior aumento em comparação com 2023; ainda assim, não atingiu o patamar pré-pandemia, quando obteve Ideb 6 em 2019. A nota da rede privada na edição mais recente foi de 5,8, um pouco acima dos 5,6 registrados em 2023.

Os dados mostram uma melhoria na aprendizagem em Português e Matemática, mas apenas nos anos iniciais do fundamental os alunos apresentam nível adequado de aprendizagem. Nos anos finais do fundamental e no ensino médio, o nível de aprendizagem permanece básico, conforme a escala de proficiência elaborada pelo Todos pela Educação com base no Saeb.

Em Língua Portuguesa, o nível nos anos iniciais aumentou de 213,9 pontos em 2023 para 219,3 em 2025, um aumento de 5,4 pontos. Considerando apenas a rede pública, a elevação foi de 7,5 pontos, passando de 207,6 para 215,1 no mesmo período.

Conforme a escala de proficiência, estudantes com mais de 200 pontos têm um grau de aprendizagem considerado adequado. Nesse nível de leitura, eles conseguem reconhecer humor em piadas, identificar relações de causa e consequência em tirinhas e interpretar linguagem verbal e não verbal, entre outras habilidades.

No que diz respeito à Matemática, o desempenho foi maior, saltando de 224,8 pontos para 232,3 entre 2023 e 2025, um avanço de 7,5 pontos. Na rede pública, o aumento foi de 9,1 pontos entre as duas edições do Ideb, passando de 218,3 para 227,4.

Assim, os estudantes da etapa também apresentam aprendizagem adequada, o que significa que são capazes de interpretar horários em relógios, realizar operações de divisão e multiplicação, e identificar informações em gráficos, entre outras habilidades.

No 9º ano do fundamental, o avanço foi mais modesto nas duas disciplinas. Em Português, o Brasil passou de 258,8 pontos para 262,2 entre 2023 e 2025, uma diferença de 3,4 pontos. Em Matemática, a pontuação subiu de 258,9 para 264,2, registrando um aumento de 5,3 pontos.

Nesta etapa, o progresso na rede pública foi semelhante ao total, com um aumento de cerca de 3,7 pontos em Língua Portuguesa (passando de 252,9 para 256,6) e de 5,4 pontos em Matemática (indo de 249,9 para 255,3). Esse patamar de pontuação corresponde a um desempenho considerado básico nas duas áreas.

O ensino médio registrou o menor avanço na pontuação do Saeb, passando de 275,7 em Língua Portuguesa em 2023 para 279, um aumento de 3,3 pontos. Em Matemática, o Brasil subiu de 271,9 para 276,5, representando um crescimento de 4,6 pontos.

O progresso da rede pública foi ligeiramente inferior, saindo de 269,1 para 272,3 em Português, totalizando 3,2 pontos a mais, e passando de 263,9 para 268 em Matemática, um aumento de 4,1 pontos.