Geral
Ministro admite que Brasil pode ampliar dívida para conter efeitos da guerra no Irã sobre a economia
José Guimarães afirma que governo avalia flexibilizar regras fiscais para proteger consumidores do impacto da crise no Oriente Médio.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta quinta-feira (16) que o governo federal pode recorrer ao aumento do endividamento público como alternativa para suavizar os impactos econômicos do conflito no Oriente Médio sobre a população brasileira.
Segundo Guimarães, a prioridade do governo é impedir que os custos da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã recaiam diretamente sobre os consumidores brasileiros. Ele destacou que medidas fiscais mais flexíveis poderão ser necessárias para preservar a chamada "economia popular", diante da pressão sobre preços e combustíveis.
A declaração foi dada durante entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto, em meio à repercussão do envio do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 ao Congresso Nacional. Apesar de admitir a possibilidade de ampliação da dívida, o ministro ressaltou que o Executivo pretende manter o equilíbrio entre responsabilidade fiscal e políticas sociais.
No cenário projetado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), espera-se que o conflito no Oriente Médio tenha duração limitada, estimada em cerca de dois meses. As medidas econômicas em discussão consideram esse horizonte, embora haja incerteza quanto à real extensão da crise.
Guimarães também frisou que o Brasil não é parte direta do confronto, mas reconheceu que os reflexos globais já atingem variáveis sensíveis da economia nacional. Entre os principais pontos de atenção estão os preços dos combustíveis, que seguem pressionados pelo contexto internacional.
Por isso, o governo avalia novas ações para conter a alta da gasolina. Entre as alternativas em estudo estão mecanismos de compensação e possíveis subsídios, após as iniciativas já adotadas terem sido consideradas insuficientes para neutralizar os primeiros impactos do conflito.
Inflação no Brasil em alta
Em março, a inflação acelerou para 0,88%, impulsionada principalmente pela alta de 1,56% nos alimentos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alimentação no domicílio subiu 1,94%, ritmo bem superior ao de fevereiro, refletindo aumentos expressivos em itens básicos consumidos pelas famílias.
O grupo Transportes também teve forte impacto na inflação, acelerando de 0,74% para 1,64% em março. Os combustíveis subiram 4,47%, com destaque para a gasolina, que avançou 4,59% e foi o item que mais pressionou o IPCA no mês. O diesel disparou 13,90%, enquanto o etanol subiu e o gás veicular recuou.
Por Sputnik Brasil
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