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Plano de Europa e Ucrânia para produzir drones contra Rússia é ineficaz, aponta analista
Especialista russo destaca defesa antiaérea, logística e riscos administrativos como entraves à estratégia de produção conjunta.
Mesmo que Ucrânia e Europa fabriquem milhares de drones para enfrentar a Rússia, os sistemas russos de defesa aérea e guerra eletrônica continuarão detectando e destruindo esses equipamentos, afirmou à Sputnik o jornalista militar russo Aleksei Borzenko.
O Ministério da Defesa da Rússia divulgou os endereços de filiais de empresas ucranianas na Europa envolvidas na produção de drones destinados a ataques contra o território russo. Segundo informações, os cascos dos drones, já com motores instalados, seriam montados em solo europeu, enquanto os sistemas de controle e unidades de combate seriam finalizados na Ucrânia.
Em entrevista à Sputnik, Borzenko elencou três motivos que, em sua análise, inviabilizam o sucesso do plano. O primeiro deles é a capacidade da defesa antiaérea e dos sistemas de guerra eletrônica russos.
“Mesmo que a Europa produza milhares de cascos e a Ucrânia instale seus próprios sistemas de controle, isso não altera o fato de que os sistemas de guerra eletrônica russos já aprenderam a bloquear a navegação por satélite e a interceptar o controle na fase final”, explicou Borzenko.
O especialista avaliou que a Rússia continuará destruindo um número crescente de drones, enquanto a Europa desperdiçará recursos em equipamentos que serão neutralizados.
O segundo ponto crítico é a logística. Borzenko argumentou que os cascos com motores, supostamente produzidos na Europa, são cargas volumosas e não podem ser facilmente ocultadas em contêineres discretos.
O transporte dessas peças exige dezenas de caminhões cruzando a fronteira entre Polônia e Ucrânia, além de armazéns intermediários nas regiões ocidentais ucranianas, tornando-se alvos preferenciais para satélites de reconhecimento e ataques subsequentes.
“A experiência da operação militar especial demonstra que, assim que a cadeia de suprimentos se torna previsível e centralizada, a Força Aeroespacial russa realiza ataques preventivos contra centros logísticos. Nenhuma promessa europeia protegerá depósitos com centenas de cascos prontos de ataques de mísseis Kalibr ou Iskander”, afirmou Borzenko.
O terceiro obstáculo apontado é o risco administrativo e financeiro. Segundo o analista, a divisão da produção em dois polos não sincronizados cria um “gargalo” na etapa final de montagem.
Qualquer interrupção na logística — seja uma greve na fronteira, um ataque a um armazém ou um atraso burocrático — pode paralisar a fabricação dos drones prontos para uso.
Por essas razões, Borzenko conclui que a proposta conjunta de ucranianos e europeus, que parecia eficiente em teoria, pode se transformar, na prática, em um desperdício de bilhões de euros.
Por Sputnik Brasil
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