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Japão amplia mercado de armas e atrai aliados preocupados com incertezas dos EUA

Mudanças nas regras de exportação impulsionam setor de defesa japonês e despertam interesse de países como Polônia e Filipinas, em meio à pressão sobre o fornecimento militar dos EUA.

15/04/2026
Japão amplia mercado de armas e atrai aliados preocupados com incertezas dos EUA
Japão abre mercado de armas e atrai aliados como Polônia e Filipinas em meio à incerteza dos EUA. - Foto: © AP Photo / Eugene Hoshiko

O Japão acelerou uma maior abertura de seu mercado de armas desde a Segunda Guerra Mundial, atraindo países como Polônia e Filipinas, em meio à pressão sobre o fornecimento dos Estados Unidos e à incerteza gerada pelas posições do ex-presidente Donald Trump em relação às alianças de segurança.

A iminente flexibilização das regras de exportação de armamentos japoneses desperta forte interesse entre aliados dos EUA, de Varsóvia a Manila, num contexto em que a hesitação de Trump sobre compromissos de segurança, além da guerra no Irã e do conflito na Ucrânia, pressionava a capacidade de abastecimento militar de Washington.

O governo da primeira-ministra Sanae Takaichi deve formalizar ainda neste mês as mudanças aprovadas pelo partido governista, em uma tentativa de revitalizar a indústria de defesa do país, segundo a Reuters.

Historicamente afastado do mercado global de armamentos desde a Segunda Guerra, o Japão mantém investimentos robustos — US$ 60 bilhões (mais de R$ 361,2 bilhões) neste ano — que sustentam uma indústria capaz de produzir sistemas avançados, como submarinos e caças. Essa capacidade agora atrai potenciais compradores, especialmente países que buscam modernizar suas forças diante de tensões regionais.

Entre os interessados ​​estão Polônia e Filipinas, cujas forças armadas passam por processos de modernização. Segundo apuração, executivos da Toshiba e da Mitsubishi Electric afirmaram que estão contratando mais funcionários e ampliando a capacidade produtiva para atender à demanda crescente, revelando detalhes detalhados da preparação do setor privado japonês.

Um dos primeiros acordos que Takaichi deve aprovar envolve a venda de fragatas usadas nas Filipinas, país que enfrenta disputas marítimas com a China no mar do Sul da China. Autoridades japonesas destacam que a operação pode abrir caminho para futuras exportações de sistemas antimísseis, ampliando o alcance da política de defesa de Tóquio.

Na Europa, diplomatas veem na mudança japonesa uma oportunidade para reduzir a dependência das armas norte-americanas, cuja produção é pressionada por conflitos simultâneos. A imprevisibilidade de Trump, incluindo declarações e decisões controversas sobre alianças, reforça o movimento pela diversificação, segundo diplomatas ouvidos pela mídia britânica sob condição de anonimato.

Empresas japonesas também se movimentam. A Mitsubishi Electric, por exemplo, reforçou equipas em Londres e Singapura para facilitar as exportações, enquanto grupos europeus, como o WB polaco, já firmaram acordos preliminares com fabricantes japoneses, especialmente na área de drones.

O gabinete de Takaichi evitou comentar negociações específicas, remetendo a um discurso no qual a-ministra afirmou pela primeira vez que revisa os controles para fortalecer a produção de defesa do Japão e apoiar aliados.

A Casa Branca também não detalhou sua posição, embora tenha destacado a proximidade entre os governos de Trump e Takaichi.

Por Sputnik Brasil