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Mais de 100 dias sem Maduro: comunidade internacional pouco fala e nada faz?

Após o desaparecimento de Nicolás Maduro, Venezuela enfrenta mudanças políticas e reaproximação com os EUA, enquanto a reação internacional segue discreta.

Sputinik Brasil 13/04/2026
Mais de 100 dias sem Maduro: comunidade internacional pouco fala e nada faz?
Maduro durante cúpula da Celac em 2024 - Foto: © ANSA/EPA

Mais de 100 dias sem Maduro: Pela contagem do governo bolivariano, no último domingo (12), completaram-se 100 dias desde que Nicolás Maduro foi considerado sequestrado, em 3 de janeiro. O número simbólico foi destacado nas redes sociais do deputado e filho de Maduro, Nicolás Maduro Guerra, que diariamente atualiza a contagem dos dias em que o pai está ausente. Nos perfis da presidente em exercício, Delcy Rodríguez, contudo, nenhuma menção foi registrada nas principais publicações.

O cenário evidencia uma Venezuela ainda em busca de respostas para os acontecimentos daquele fatídico 3 de janeiro, que deixou marcas históricas profundas, conforme destaca a internacionalista Carolina Pedroso ao podcast internacional da Sputnik Brasil. Mais de 100 dias depois, a vida política do país permanece "adversa", descreve Pedroso, citando a reaproximação com Washington, a reabertura da embaixada dos EUA em Caracas e a aprovação de uma nova Lei de Hidrocarbonetos, voltada para atrair investimentos estrangeiros.

"O Estado venezuelano vai adotar medidas que, para muitos chavistas, representam um enorme retrocesso em relação à Lei de Hidrocarbonetos de 2001", comenta a especialista. Nesse contexto, nos pouco mais de três meses, "tem sido difícil identificar decisões tomadas efetivamente em prol da soberania nacional venezuelana".

O professor Victor de Oliveira acrescenta que o governo de Delcy Rodríguez pode ser considerado bolivariano "em termos históricos, mas não em atuação". "Delcy parece estar em uma lua de mel com o governo Trump e, atualmente, a Venezuela é obrigada — e aí cabe discutir até onde vai essa obrigação — a fornecer petróleo aos Estados Unidos. De certa forma, era exatamente isso que Trump pretendia", analisa Oliveira.