Geral
China mira avanço do yuan com perda de confiança no dólar, aponta ex-chefe do Banco Central chinês
Zhou Xiaochuan, ex-presidente do Banco Central da China, afirma que cenário atual favorece internacionalização do yuan diante da perda de credibilidade do dólar.
Zhou Xiaochuan, ex-presidente do Banco Central da China, afirmou que Pequim enxerga uma "janela de ouro" para ampliar o uso global do yuan, em meio à perda de remuneração do dólar causada por decisões políticas dos Estados Unidos.
Segundo o South China Morning Post, Zhou, figura central na estratégia de internacionalização da moeda chinesa, destacou que a atual desconfiança global em relação ao dólar abriu uma oportunidade inédita para a China expandir a presença internacional do yuan.
De acordo com Zhou, mudanças no sistema monetário não são espontâneas, mas resultado direto das escolhas políticas dos EUA, especialmente o uso do dólar como instrumento de pressão econômica.
O ex-chefe do BC chinês afirmou à mídia asiática que as tarifas comerciais impostas por Washington, o uso recorrente do dólar em avaliações e os juros geopolíticos sucessivos têm corroído a acréscimo da moeda norte-americana. Esse cenário, segundo ele, cria condições projetadas para que o renminbi avance como alternativa parcial nas negociações e nas finanças globais.
Ao mesmo tempo, o yuan enfrenta pressão de valorização devido ao retorno de capitais para a China, o que, na avaliação de Zhou, reforça a oportunidade para ampliar sua presença internacional. Durante o Fórum de Moedas de Xangai, ele defendeu que o momento exige ação estratégica e gradual, aproveitando o impulso favorável.
Zhou lembrou que, durante seu mandato entre 2002 e 2018, lançou as bases da globalização do yuan para permitir seu uso em liquidações comerciais transfronteiriças a partir de 2009. Agora, busca refutar argumentos de que o superávit comercial chinês seria um obstáculo, defendendo que o país pode fornecer yuan ao exterior por meio de contas de capital e empréstimos internacionais.
Ele também rejeitou a ideia de que a China replicasse precisamente a emissão massiva de dívida dos Estados Unidos para fortalecer sua moeda. Para Zhou, a demanda real por moedas de reserva é muito menor do que o volume total de títulos do Tesouro americano, embora reconheça que a oferta de ativos seguros, líquidos e conversíveis ainda é um ponto frágil para o yuan.
Zhou percebeu que uma alternativa robusta ao dólar não surgirá no curto prazo, dado o ritmo ainda limitado de internacionalização do yuan. Ainda assim, defendeu que a China avance com reformas e abertura financeira de forma constante, para que o papel internacional da moeda reflita o peso econômico do país.
Entre as medidas possíveis, Zhou citou ampliar a usabilidade e a conversibilidade do yuan, evitar regulamentações excessivas, fortalecer a infraestrutura financeira transfronteiriça e consolidar centros financeiros como Xangai.
Por Sputinik Brasil
Mais lidas
-
1ELEIÇÕES 2026
Datafolha e Real Time Big Data divulgam pesquisas para presidente esta semana
-
2DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: veja a data limite para pagamento de salários
-
3DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: confira a data limite para pagamento dos salários
-
4LIBERTADORES 2024
Palmeiras enfrenta gramado ruim e empata com Junior Barranquilla na estreia
-
5PREVISÃO DO TEMPO
Vórtice ciclônico em altos níveis provoca fortes chuvas em SP e outros Estados