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Agressão contra Irã compromete relações dos EUA com países árabes e abala OTAN, avalia analista

Ex-oficial de inteligência dos EUA afirma que ataques ao Irã resultaram em perda de aliados estratégicos e enfraquecimento da aliança atlântica.

Sputinik Brasil 12/04/2026
Agressão contra Irã compromete relações dos EUA com países árabes e abala OTAN, avalia analista
Analista aponta que ataques ao Irã abalaram alianças dos EUA e enfraqueceram a OTAN. - Foto: © AP Photo / Vahid Salemi

Os recentes ataques ao Irã provocaram rupturas profundas nas relações dos Estados Unidos com seus principais parceiros, tanto na Europa quanto no Oriente Médio, de acordo com o analista militar e ex-oficial de inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Scott Ritter, em entrevista no YouTube.

Ritter destacou que, na prática, os EUA minaram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e se distanciaram de países árabes aliados.

“Foi um enorme erro estratégico [...]. O mundo inteiro mudou. Eu diria que esse evento marcou o fim do império [...]. A OTAN praticamente deixou de existir”, ressaltou.

Segundo o analista, o então presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário de Estado, Marco Rubio, discutiram a retirada de 100 mil militares do continente europeu e a adoção de uma abordagem mais seletiva sobre quem Washington apoiaria.

Nesse contexto, Ritter enfatizou que essa nova postura representa o fim da defesa coletiva no âmbito da OTAN.

O especialista ainda observou que pouco mais de um mês de acontecimentos envolvendo o Irã foi suficiente para desfazer quatro décadas de esforços dos EUA para consolidar alianças globais.

“Todas as nossas relações estratégicas, que determinaram nossa posição geopolítica nos últimos 40 anos, desapareceram. Tudo isso terminou. Tudo isso deixou de existir, principalmente nos países árabes do golfo Pérsico. Agora, tudo acabou”, enfatizou.

Para Ritter, trata-se de uma derrota estratégica significativa para os Estados Unidos, com impactos que vão além do confronto direto com o Irã.

Trump já havia expressado dúvidas sobre a capacidade da OTAN de oferecer apoio concreto aos Estados Unidos, além de acusar a organização de ser ineficaz diante de ameaças globais e de “tratá-los mal”.

O ex-presidente também considerou seriamente a possibilidade de retirar os EUA da aliança, após a recusa da OTAN em apoiá-lo na operação contra o Irã.

Na última quinta-feira (9), a imprensa alemã noticiou que o comportamento considerado irracional do então chefe da Casa Branca intensificou as incertezas entre os aliados de Washington quanto à condução do governo norte-americano.