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Estreito de Ormuz: estratégia de 'eu sofro, mas sofremos todos' é única viável para Irã, diz analista

Vice-ministro iraniano nega fechamento do estreito, mas reforça necessidade de coordenação militar para trânsito seguro na região

12/04/2026
Estreito de Ormuz: estratégia de 'eu sofro, mas sofremos todos' é única viável para Irã, diz analista
Navios transitam pelo Estreito de Ormuz, ponto estratégico sob tensão entre Irã e potências ocidentais. - Foto: © AP Photo / Morteza Akhoondi

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, afirmou recentemente que navios que desejarem transitar pelo Estreito de Ormuz, incluindo petroleiros, devem coordenar a passagem com o Exército iraniano para garantir a segurança. Ele assegurou, contudo, que o estreito permanece aberto à navegação civil.

Khatibzadeh classificou como "incorretas" as informações sobre o possível fechamento do Estreito de Ormuz, reiterando que a rota está liberada para embarcações civis.

O diplomata, porém, enfatizou que, devido à presença de minas resultantes de ações consideradas agressivas por parte dos EUA e de Israel, além de outras medidas tomadas na região, as embarcações devem manter contato com as autoridades iranianas para serem guiadas por rotas seguras.

"Qualquer um que se comunique com a autoridade iraniana tem permissão para passar", reafirmou o alto funcionário persa.

Khatibzadeh explicou ainda que há restrições técnicas relacionadas às condições de conflito na área, exigindo cautela para garantir a segurança de navios e tripulantes.

Questionado sobre o trânsito de embarcações estadunidenses, ele respondeu que "não há diferença, exceto por um comportamento hostil", mas acrescentou que, até o momento, "não há sinais" desse tipo de conduta.

"A quem se comunicar, fornecemos uma passagem segura pelos canais seguros que temos", destacou.

Nesse contexto, o presidente dos EUA, Donald Trump, exigiu publicamente que o Irã cesse a cobrança de taxas sobre navios petroleiros que cruzam o estreito.

"Há relatos de que o Irã está cobrando taxas dos petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz. É melhor que não seja assim e, se estiverem fazendo isso, é melhor que parem imediatamente!", escreveu Trump em sua rede Truth Social.

Em entrevista à Sputnik, o professor da Universidade Nacional Autônoma do México e analista político internacional Ernesto Carmona Gómez avaliou que o Irã não dispõe de alternativas para responder de forma proporcional aos ataques dos EUA e de Israel.

"Evidentemente [o Irã] não pode competir com o poderio militar americano e então fez uma estratégia de 'eu sofro, mas sofremos todos', de fechar essa passagem chave. Fala-se até que vão cobrar um pedágio, o que também não é algo que os EUA não tenham feito com suas tarifas seletivas pedindo concessões para suas empresas, em troca de reduzir tarifas. Pois é basicamente o mesmo: o Irã faz uso do recurso que tem em mãos para se defender, para pressionar e para sentar os adversários à mesa e impor condições", aponta Carmona Gómez.

A terceira rodada de negociações entre EUA e Irã foi encerrada neste sábado (11), em Islamabad, no Paquistão. Após cerca de 14 horas e três rodadas de diálogo, as delegações de Washington e Teerã não chegaram a um acordo.

Por Sputnik Brasil