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Líbano pode enfrentar catástrofe humanitária em meio a ataques israelenses, diz Cruz Vermelha

Presidente da Cruz Vermelha Alemã alerta para risco de colapso hospitalar e escassez de suprimentos após ofensiva israelense

10/04/2026
Líbano pode enfrentar catástrofe humanitária em meio a ataques israelenses, diz Cruz Vermelha
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Líbano está à beira de uma catástrofe humanitária devido à intensificação dos ataques israelenses, afirmou nesta sexta-feira (10) o presidente da Cruz Vermelha Alemã, Hermann Grohe. Segundo Grohe, nesta semana, um ataque envolveu 160 mísseis em apenas dez minutos descobertos em mais de 300 mortes em Beirute.

“Muitos hospitais estão sobrecarregados devido ao grande número de feridos, e há risco de escassez de certos medicamentos e suprimentos, especialmente se os ataques continuarem”, declarou Grohe em entrevista ao jornal Rheinische Post.

De acordo com o dirigente, a situação humanitária no Líbano se agravou consideravelmente. "Nos últimos dias, áreas densamente povoadas foram atingidas sem aviso prévio suficiente aos civis. As consequências ainda não são totalmente claras, mas devemos considerar centenas de mortos e mais de mil civis feridos. O conflito atingido novas e ainda mais destrutivas proporções", avaliou.

Grohe também expressou preocupação com o número crescente de mortes entre trabalhadores humanitários. Segundo ele, mais de 300 profissionais ligados a organizações associadas à Cruz Vermelha Alemã morreram em 2024 e 2025, incluindo um membro da Cruz Vermelha Libanesa neste ano.

Na última quinta-feira (9), a CBS informou, citando um funcionário do Departamento de Estado dos EUA, que delegações de Israel e do Líbano podem se reunir nos Estados Unidos na próxima semana. O ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salamé, confirmou que as negociações devem começar em breve.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria solicitado ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que "reduzisse" os ataques ao Líbano e retomasse o diálogo diplomático.

Após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre o Irã e os Estados Unidos na noite de terça-feira (7), o Hezbollah suspendeu suas operações contra Israel. No entanto, o grupo retomou as ações após Israel lançar um ataque massivo contra Beirute e cidades do sul do Líbano.

'Outra' de Gaza

Diante da escalada do conflito, o vice-primeiro-ministro do Líbano, Tarek Mitri, manifestou em março a preocupação de que o país possa se transformar na “outra” Faixa de Gaza, dada a intensidade dos ataques israelenses, segundo a Sky News. “Mitri alertou que a escalada e a intensidade dos ataques israelenses ameaçam transformar algumas áreas do Líbano em outro setor de Gaza”, destacou na ocasião.

Mitri ressaltou que há "preocupações reais" sobre esse cenário. Por outro lado, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, planejou a destruição de pontes, edifícios e casas em vilarejos próximos à fronteira, sob a alegação de que essas estruturas estariam sendo usadas pelo Hezbollah para fins militares.

Por Sputnik Brasil