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Dor nas costas: quando o incômodo deixa de ser comum e passa a ser um sinal de alerta

Alta incidência entre brasileiros acende alerta para diagnóstico precoce e atenção aos sintomas persistentes

Assessoria 10/04/2026
Dor nas costas: quando o incômodo deixa de ser comum e passa a ser um sinal de alerta
Dr. Túlio Rocha - Foto: Assessoria

A dor nas costas é uma das queixas mais frequentes nos consultórios médicos e já é considerada um problema de saúde pública. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 80% da população mundial terá ao menos um episódio ao longo da vida. No Brasil, milhões de pessoas convivem com o problema de forma recorrente, muitas vezes sem buscar avaliação especializada, o que pode agravar quadros que inicialmente parecem simples.

Embora, na maioria dos casos, a dor esteja associada a fatores como má postura, sedentarismo ou esforço físico, especialistas alertam que nem todo desconforto é inofensivo. O médico neurocirurgião da coluna, Dr. Túlio Rocha, explica que é fundamental observar a evolução do quadro e os sinais associados. “Grande parte das dores nas costas é de origem muscular e tende a melhorar em poucos dias. O problema é quando essa dor persiste, se intensifica ou passa a limitar as atividades do dia a dia. Nesses casos, ela deixa de ser comum e precisa ser investigada”, afirma.

A linha que separa uma dor considerada “normal” de um problema mais grave pode ser tênue. Segundo o especialista, sintomas como dor que irradia para braços ou pernas, sensação de formigamento, dormência ou perda de força muscular podem indicar comprometimento neurológico, como ocorre em casos de hérnia de disco ou compressão de nervos. “Quando há irradiação da dor ou alteração de sensibilidade, estamos diante de um possível envolvimento dos nervos da coluna. Isso exige avaliação médica o quanto antes”, alerta o neurocirurgião.
Outro fator que preocupa é o impacto silencioso da dor na qualidade de vida. Além de limitar movimentos e causar desconforto constante, o problema está entre as principais causas de afastamento do trabalho no país. A dor crônica também pode desencadear quadros de ansiedade e estresse, criando um ciclo difícil de interromper sem acompanhamento adequado.

Apesar da alta incidência, ainda é comum a automedicação e a tentativa de ignorar os sintomas. Para o Dr. Túlio Rocha, essa postura pode atrasar diagnósticos importantes. “A dor é um sinal do corpo. Quando ela se torna frequente ou vem acompanhada de outros sintomas, não deve ser tratada apenas com analgésicos. O ideal é procurar um especialista para identificar a causa e iniciar o tratamento correto”, orienta.
A boa notícia é que, na maioria dos casos, o tratamento não envolve cirurgia e pode ser conduzido com medidas conservadoras, como fisioterapia, fortalecimento muscular e mudanças no estilo de vida. A prática regular de atividade física e a atenção à postura continuam sendo aliados fundamentais tanto na prevenção quanto no controle da dor.

Diante de um problema tão comum, a principal recomendação dos especialistas é não normalizar o desconforto persistente. Como reforça o neurocirurgião, “sentir dor ocasionalmente pode fazer parte da rotina, mas conviver com dor constante não é normal e nem deve ser ignorado. Quanto mais cedo investigarmos, maiores são as chances de um tratamento eficaz e menos invasivo”.