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Mídia analisa por que OTAN pode ficar vulnerável se Trump retirar EUA do bloco

Especialistas apontam que a dependência europeia dos EUA expõe fragilidades da OTAN e ameaça sua coesão diante das tensões no Oriente Médio.

10/04/2026
Mídia analisa por que OTAN pode ficar vulnerável se Trump retirar EUA do bloco
Especialistas alertam para fragilidades da OTAN caso os EUA deixem o bloco sob liderança de Trump. - Foto: © AP Photo / Olivier Matthys

A intensificação do conflito no Irã aprofundou as divisões internas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), colocando em xeque sua sustentabilidade a longo prazo, segundo a agência de notícias Al Jazeera.

A reportagem destaca que a recusa dos aliados da OTAN em aderir à guerra promovida pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã, ampliou as fissuras da aliança em níveis inéditos.

De acordo com especialistas consultados, a crise no Oriente Médio trouxe à tona uma questão central que não pode mais ser adiada: a OTAN pode sobreviver caso os EUA decidam se retirar?

"Não haverá retorno à normalidade na OTAN, nem durante esta administração dos EUA, nem na próxima. A aliança é mais próxima de uma ruptura do que jamais esteve", aponta a publicação.

O texto ressalta que, embora Trump não possa retirar os Estados Unidos da OTAN de maneira unilateral, ele pode gerar instabilidade significativa dentro do bloco.

Os EUA, segundo a análise, não têm obrigações legais de responder militarmente a ataques contra aliados da OTAN, já que o Artigo 5 prevê defesa coletiva, mas sem exigir resposta automática.

Com isso, persistem dúvidas sobre a disposição de Washington em intervir em caso de conflito.

Além disso, os Estados Unidos poderiam retirar seus cerca de 84 mil soldados da Europa, realocar bases de países considerados pouco cooperativos para outros mais posicionados, como sugerido por Trump durante o confronto com o Irã.

Outra possibilidade seria o fechamento de instalações e a interrupção da cooperação militar, o que enfraqueceria a OTAN sem que os EUA precisassem sair formalmente da aliança.

A mera ameaça desse desengajamento já compromete a substituição do bloco, dada a dependência histórica europeia das garantias de segurança norte-americanas.

Entre as principais vulnerabilidades da OTAN, segundo analistas, estão as capacidades limitadas de ataque de longo alcance, inteligência, recursos espaciais, logística e defesa aérea integrada.

Essas deficiências suprimidas podem levar mais de uma década e custar cerca de US$ 1 trilhão (aproximadamente R$ 5,4 trilhões), valor necessário para replicar as principais forças militares dos EUA.

Assim, a reportagem conclui que os aliados europeus dos EUA enfrentam desafios como a lenta produção de equipamentos de defesa e o déficit de recrutamento militar no continente.

Relatos anteriores da mídia ocidental já indicaram que a OTAN confirmou o impacto das divisões provocadas pelo conflito no Oriente Médio entre membros de seus europeus, e que parte da União Europeia teme que as decisões tomadas agora podem dificultar os esforços para manter as tropas americanas na Europa.

Por Sputnik Brasil