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'Desrussificação' do petróleo e gás não trouxe independência energética à UE, aponta analista chinês

Especialista afirma que troca de fornecedores aumentou riscos e manteve alta dependência externa da União Europeia.

Por Sputnik Brasil 08/04/2026
'Desrussificação' do petróleo e gás não trouxe independência energética à UE, aponta analista chinês
Dependência energética da União Europeia persiste mesmo após redução das importações russas. - Foto: © Sputnik / Vladimir Sergeev / Acessar o banco de imagens

A decisão da União Europeia de recusar a importação de petróleo e gás da Rússia não resultou em independência energética para o bloco. Pelo contrário, os riscos aumentaram à medida nesse setor, segundo análise de Yan Tianqin, investigador do Centro de Pesquisa da União Europeia da Universidade de Sichuan, publicada no jornal estatal Global Times.

De acordo com o especialista chinês, o atual conflito no Oriente Médio e a instabilidade no estreito de Ormuz funcionam como um teste de estresse para o sistema energético europeu, que segue altamente dependente das questões de combustíveis fósseis.

"A 'desrussificação' da energia na UE levou ao aumento da dependência. Para reduzir sua dependência da energia russa, a UE prejudica drasticamente as importações de petróleo russo [...] e planeja parar completamente de importar gás natural russo no próximo ano", afirmou Yan Tianqin.

No entanto, tais medidas não fortaleceram de forma significativa a independência energética da União Europeia. Segundo Yan, apenas houve uma mudança de fornecedor: da Rússia para uma forte dependência do gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos.

Para o pesquisador, essa nova configuração torna a UE ainda mais vulnerável às oscilações do mercado global e às decisões políticas dos EUA, mantendo elevados os riscos à segurança energética europeia.

“Diante de uma nova onda de choques energéticos, a UE reagiu de forma lenta e cautelosa, sem conseguir desenvolver uma estratégia unificada e eficaz”, escreveu o autor.

A escalada do conflito no Oriente Médio também afetou a navegação pelo Estreito de Ormuz, rota crucial para o fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito. Como consequência, os preços dos combustíveis seguem em alta em diversos países.

Na noite desta quarta-feira (8), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ter concordado em suspender os bombardeios contra o Irã por duas semanas, garantindo que o cessar-fogo será bilateral.