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Brasil e Índia iniciam nova fase estratégica, diz presidente da ApexBrasil

Comitiva brasileira destaca potencial de crescimento comercial e investimentos bilionários entre os países

21/02/2026
Brasil e Índia iniciam nova fase estratégica, diz presidente da ApexBrasil
Comitiva brasileira em Nova Délhi reforça laços estratégicos e anuncia investimentos bilionários. - Foto: © Ricardo Stuckert / Presidência da República

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, afirmou à Sputnik Brasil que o comércio entre Brasil e Índia ainda é modesto, mas apresenta enorme potencial de expansão. Viana integra a maior comitiva brasileira já enviada à Índia para compromissos internacionais.

"É uma demonstração concreta de que Lula e o primeiro-ministro Narendra Modi estão construindo uma nova fase na relação entre Brasil e Índia. O fluxo de comércio ainda é muito pequeno para o gigantismo dos dois países. E a decisão é uma: ter mais investimento brasileiro na Índia e mais investimento indiano no Brasil", declarou Viana.

Durante a visita, foram anunciados investimentos superiores a US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 19,9 bilhões) de grupos indianos no Brasil. Empresas brasileiras como Vale e Embraer também preparam projetos para atuar em solo indiano.

"Eu diria que essa união Índia-Brasil deverá criar um polo de prosperidade muito grande e a esperança nossa é que, em um tempo curto, deixem de ser países em desenvolvimento para alcançar uma posição de líderes mundiais como países desenvolvidos", ressaltou Viana.

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, destacou que a visita simboliza o compromisso estratégico entre as duas maiores democracias do Sul Global. Segundo ele, a aproximação vai além do comércio, estando ancorada na defesa de valores comuns. "A visita simboliza o compromisso do Brasil com o povo e o governo da Índia na defesa da democracia, dos direitos, das liberdades e do multilateralismo", afirmou.

Além disso, Rosa lembrou que a Índia possui a maior população e o oitavo maior território do mundo, enquanto o Brasil é o quinto maior em extensão territorial. "Ambos têm grande riqueza ambiental, produção agrícola relevante e uma base industrial importante. Precisamos realizar mais reuniões e encontros para produzir mais, gerar renda e ampliar a igualdade", completou.

Transações com o Brasil representam menos de 1% da balança comercial indiana

O secretário-executivo ressaltou ainda que o Brasil responde por menos de 1% das transações comerciais da Índia. "O Brasil importa e exporta, há um equilíbrio, mas é necessário ampliar mercados para alguns bens de consumo, como alimentos, por exemplo, com a abertura do mercado aqui na Índia, como ocorreu recentemente. A Apex, ao instalar seu escritório para promover investimentos e comércio exterior, favorecerá esse processo. Temos uma meta clara a ser alcançada. Precisamos sair dos números atuais e ampliá-los gradualmente", explicou.

Questionado sobre o cenário internacional marcado por tensões e uso estratégico do comércio como instrumento de pressão, Rosa afirmou que o Brasil aposta na estabilidade e na diplomacia. "É sempre melhor navegar em tempos de paz", declarou.

Segundo ele, o país não mantém contenciosos com outras nações e defende o fortalecimento do multilateralismo como forma de equilibrar interesses em um ambiente global instável. "O Brasil acredita em organizações capazes de conciliar interesses", acrescentou, frisando que o diálogo deve prevalecer tanto nas relações comerciais quanto industriais.

O CEO da Câmara de Comércio Índia-Brasil, Leonardo Ananda, classificou como histórica a visita da delegação brasileira à Índia. Para ele, a relação entre os dois países vive seu período mais promissor desde o início das parcerias estratégicas.

"É sempre um prazer estar em Nova Délhi. Já considero a Índia minha segunda casa. Como parte desta delegação, estou extremamente feliz em ver que a relação Índia–Brasil está realmente em expansão. Estamos no melhor momento de todos", disse Ananda.

Comentando o papel do BRICS e as discussões sobre comércio em moedas locais, Ananda destacou que a cooperação entre Brasil e Índia vai além do bloco. Segundo ele, os dois países atuam juntos em fóruns internacionais e compartilham uma visão de longo prazo para fortalecer as economias emergentes.

Por Sputnik Brasil